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O que é capaz de nos transformar também nos destrói

Ele traiu-a. Ela soube. O seu rosto não se modificou por todo o dia, o sorriso manteve-se e completou as 8 horas diárias, no trabalho que mais odiava. Aquele sentimento remoeu-lhe por todo o dia, cada vez mais. Em alguns momentos, sentiu que não iria conseguir aguentar as lágrimas que se formavam nos seus olhos, quando na rádio passavam as músicas que mais simbolizavam a sua relação. Mas aguentou firme. Respirava fundo, tentava procurar outros assuntos para pensar e foi sempre ignorando a sua vontade.

Chegou em casa. Todos lhe perguntavam o que se passava. Em vez alguma, descaiu-se. O “está tudo bem” de antes acabara de voltar, para instalar-se durante os próximos meses.

Ao entrar na casa de banho olhou-se no espelho e respirou fundo. Não entendia o porquê daquele desfecho. Na sua cabeça, revivia todos os momentos passados com quem ainda ocupava o seu coração e o quanto tinha sido feliz do seu lado. Por mais que tentasse encontrar uma possível razão, não conseguia. Não haviam razões que pudessem justificar tal ato. Não fora um acaso, um erro. Tinha sido proposital e isso a torturava ainda mais.

Mentalizava-se assim que merecia todo o acontecido, que não era grata o suficiente para poder ser amada e feliz. A única que tentava acreditar nisso, era ela mesma. A culpa não era de todo sua. Nem do seu corpo, nem de alguma discussão que tiveram. Ele era o único culpado, pela traição e pela sua dor.

Quando a água começou a correr no chuveiro, desmoronou-se. Chorou imenso, deixando que as lágrimas se confundissem com a água límpida que caía calmamente. Questionou-se mais uma vez o porquê.

A água esfriou, o banho ficou por tomar e as lágrimas secaram. Quando abriu os olhos, a escuridão imensa dos mesmos refletiu-se nas suas ações seguintes. O sorriso desaparecera, as mãos fechadas em punhos estavam em defesa e o seu coração estava trancado. O amor transformou-a, a traição matou-a.

A partir daquele dia, a sua dor transformou-me em ódio e nunca mais aquela pobre mulher iria ser a mesma. Tomara que ele não lhe apareça no caminho, caso contrário, saberá como é morrer por dentro e por fora.

8 comentários em “O que é capaz de nos transformar também nos destrói”

  1. Desconfio que seja fictício. Colocaste em palavras o que sofreste na pele e negas. Também não se sabe se foste tu a traída ou se foi ele

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