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Comportamento

Marcas do passado [parte 2/5]

A chuva caia lá fora e pouco a pouco fui me permitindo regressar a meu passado. Após encontrar meu corpo deitado naquela maca de hospital, peguei nas agulhas de acunputura-espiritual e homeopaticamente fui espetando por aquele pedaço de carne fraco. 

Levei meu espírito até aquele banheiro de paredes sujas e chão manchado de vermelho-sangue, olhei para meu lado esquerdo e lá no canto vi a garrafa encardida o meu fiel amigo de tanto tempo.

De seguida, olhei para o corpo a tremer e escorregar pela parede até o chão do box. Uma barata saía pelo ralo e começava a passar pelos pés do meu eu de anos atrás, mas o mesmo não se importava. Se era perda de tempo. Aquele eu apenas queria de volta e gritava diversas vezes por isso.

No começo quando pegou no tubo cilíndrico,  assustou-se imenso, não sabia nem cuidar de si mesma e teria que para além de cuidar de dois marmanjos de mais um pequeno ser, fraquejou imensas vezes para chegar até ali e pensou umas outras tantas vezes em fazer o que a obrigaram a fazer mas lhe faltava coragem. Porém não era tão baixa a ponto de fazer algo a alguém que nem podia se defender.

Já tinha tudo pensando a mente, a teria e iria atrás de sua própria mãe, contar-lhe-ia tudo que passou  e ambas iriam tomar as devidas providências. Mas os planos não podiam mais serem concretizados.

  1.  Ela acabara de a perder;
  2.  O medo de ser rejeitada por sua mãe ainda estava ali;
  3.  Se era difícil assumir na altura, mas ela tinha se acostumado ao seu cotidiano. 

Apesar de ser apenas uma criança, ela queria carregar “o mundo” as costas . Talvez, se achasse autossuficiente para isso; mas, de certo, ela somente queria provar seu valor – que ainda tinha muito por ascender – para ele quando na verdade ela tinha de provar apenas para si mesma, contudo ela não tinha ninguém para estar por ali para ensiná-la esta cereja de bolo .

O problema se é quando envelhecemos tanto fisicamente quanto mentalmente pois começamos a questionar ou a nós mesmos ou o que se passa ao nosso redor ou o porquê de fazermos tal coisa. No começo, por sermos crianças ou por qualquer outro motivo fazemos certas atitudes – mesmo que lá no fundo não tenhamos imensa vontade de as fazer – para agradar a quem cuida de nós e também porque temos em mente que devemos obedecer aos mais velhos não importa o que eles nos mandem fazer. Muitas vezes isso se é tão mascarado que outrens não percebem que se trata de um terror  psicológico e acabam por tachar tal coisa de obediência e este foi um dos terrores que com o passar dos anos apercebi-me de que sofria.

6 comentários em “Marcas do passado [parte 2/5]”

    1. Olá querida, peço-te desculpas pela demora a responder, tive uns contratempos!
      Agradeço-te imenso pelo teu feedback!
      Até breve e sê feliz! Forte abraço! 💛

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