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Textos

Meu foco estava na direção contrária

Tu não eras príncipe tampouco tinha um cavalo branco. Para ser mais exacta, tu tinhas um tamanho de uma porta se comparado a mim, era bruto mas não no sentido de machucar-me fisicamente ou com palavras. Tudo bem que uma vez apertaste o meu pulso esquerdo, mas aquela vez não conta, afinal nem te apercebeste do que estavas a fazer e nem fizeste por mal, disso tenho a certeza.

Foram tantos pedidos de desculpa pelo teu feito que eu acabei por te dar uma estalada na face. Eu não sou de medir totalmente os meus feitos pois não se é do meu feitio fazer tal coisa. O que me acalmou na época foi tua risada, ou melhor, tua gargalhada de sacudir os ombros; para além d’eu ficar zangada com o facto de teres vindo a me pedir imensas desculpas por algo banal, eu também fiquei porque gargalhaste de mim.

Se era tão normal o facto de zangar-me com qualquer coisa que não saísse como o meu planeado, que cabia apenas a ti tentar-me acalmar e me fazer perceber que mesmo que tudo o que eu decidisse fazer, resultasse em algo relativamente errado, iria se acabar bem.

Por vezes, eu te falava que o culpado por meu perfeccionismo era o meu signo. Hoje em dia, eu percebo ou melhor assumo com uma maior facilidade de que a culpada era eu mesma, por conta da falta de empatia por mim mesma. Cá entre nós, eu não tolero “erros” ainda assim tão facilmente, principalmente em se tratando dos mais bobos que eu cometo.

Passou-se alguns poucos anos depois de nossa última conversa e mesmo assim eu ainda não consigo entender onde foi que eu errei a ponto de nossa bela amizade se acabar. Se foi apenas pela falta de aceitação e crença em mim mesma ou se foi pelo facto de que não era mesmo para que esta relação durasse além do que durou.

O que eu tenho a certeza é de que quando vieste-me perguntar se eu estava a gostar de ti, como algo para além de amigo, tu estavas apenas a confirmar-me que teu sentimento por mim era exactamente esse, porém eu não me apercebi, pois meu foco estava no retrocesso e não no progresso.

Rosa Branca

Por muito tempo o tom de vermelho-sangue se fez presente na minha vida, por hora limito-me a usar boas doses de solvente-reconstrução para tornar-me branca outra vez.

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