Foto: Axel Holen / Unsplash
Textos

Fazer contas à vida.

Lá foi ela. Mergulhada num mar de dúvidas do incerto, do futuro que ninguém conhece mas vai chegar bem devagarinho de surpresa. O mar salga-lhe os pés e adoça a alma aos poucos, mas os pensamentos são ondas fortes que rebentam nos rochedos da praia. Tem a certeza de quem é, dona de si, mas não sabe se o seu reflexo é quem é de verdade. Não sabe para onde vai, mas sabe que não quer voltar mais a uma alma que não conhece num corpo que sabe de cor.

Às vezes damos muito valor aos números. Ao número de amigos incalculável que temo que ter, ao número de pessoas que gostaram da nossa foto, ao número de anos que as pessoas permanecem na nossa vida mesmo aqui ao nosso lado. Por vezes fazemos tantas contas que nos esquecemos do resultado final. Mas o resultado final não é a soma disso tudo, é pelo contrário a substração de muitas das coisas que nos esquecemos de retirar com medo de ficar a perder.

Não importa quantas pessoas aparecem na foto ou até mesmo se aparecem. Jamais uma amizade se vai refletir em fotografias nas redes sociais ou em festas pela noite dentro. Jamais uma amizade se vai contar aos dias ou até mesmo às horas que passam com essa pessoa.

Os números são só pequenos pontos. Se soubéssemos o número de estrelas no céu perdíamos o encanto de nos perdermos na infinidade das mesmas. Por vezes é mesmo preciso reduzir ao mínimo possível, reduzir ao essencial para haver espaço para novas pessoas e novos momentos com essas pessoas. Sufocamos o nosso tempo com tantas pessoas que não damos valor a ninguém, muito menos a nós mesmos. Talvez faça parte da amizade deixar ir, por inteiro ou por tempo indeterminado, mas deixar ir para podermos ter o prazer de regressar. Deixar de forçar algo só porque teoricamente significa “mais”.

Olá, eu sou a Ariana e tenho 20 anos. Sou de Braga e frequento a universidade no Porto. A escrita não precisa de mim mas eu preciso de escrever. Desde daquele diário azul que tinha quando comecei a escrever na primária até aos dias de hoje a escrita foi acompanhando a minha vida. A escrita criativa e narrativa como área de conforto mas com as portas abertas a novas aventuras a escrita faz parte do quotidiano e do meu eu.

6 comentários em “Fazer contas à vida.”

  1. Olá Ariana 😊 Concordo totalmente. Muitas vezes baseamos-nos em inúmeros números em vez de nos concentrarmos nas coisas que verdadeiramente importam. Há que aproveitar mais os momentos sem dúvida. Gostei imenso do blog. Beijinho

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