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Não se é questão de merecer apenas

Passados 3 anos, ela ainda não sabia como se era o amor, achava que não merecia que tal sentimento fizesse morada em sua alma. Encontrou-se de peito aberto numa fatídica relação a qual a outra parte nem sequer dava-se o desfrute de tentar corresponder em intensidade ao menos parecida. 

Após o fim – seja lá do que for em nossas vidas – temos de aprender a recomeçar. Na vida temos um fluxo constante de idas e vindas. Nem todas as pessoas que chegam são boas ou querem o nosso bem por completo, algumas vezes, quem quer nosso mal está a um cómodo de distância de nós e nem sequer nos damos conta disso; mas também, não quer dizer que todas as pessoas são de todo mal. Infelizmente, não temos uma “espécie de balança” para medir a percentagem de bem ou de mal que cada pessoa possue dentro do seu próprio ser, se tivéssemos – creio eu – que estaríamos a vegetar e não a viver; afinal a vida se é feita de cair, reerguer-se, para no fim seguirmos em frente.

Em terras áridas de sua alma ferida quis-se nascer um novo broto da flor-amor, mas ela ainda tinha lá suas velhas crenças e políticas de boa vivência as quais diziam – erroneamente – que ela não merecia amar e ser amada por outro. Seu avô sempre lhe dizia que pelas leis da física os pólos diferentes se atraem porém em contrapartida para ela encerrar este assunto o qual a levava para lembraças dolorosas ela dizia que óleo e água nunca se misturaram.

Seu ex-companheiro batia com as mãos fortemente ao peito dizendo para ela que nem todos os homens se eram iguais. Numa coisa ele estava certo, não são mesmo, uns podem ser bem mais bestas do que os outros. No começo, tudo foi-se tão doce quanto um pote de mel, caixas de chocolate, cartas na caixa de correio, rosas vermelhas, jantares caros. Como um amigo meu diz “foi-se um investimento e tanto” – eu acho esta frase um tanto quanto boçal, afinal mulheres não são objetos desejáveis para se fazer um tal investimento – contudo, como ela não quis-lhe dar o que o “”””investidor”””” queria, de nada mais ela tinha “”””valia””””. Portanto,  de mulher dos sonhos ela foi rapidamente tachada à mulher de estepe . O amor que o gajo sentia de modo veloz desapareceu, e no fim quem usou se tornou usado e quem fora usado se tornou quem usou, trocando em miúdos,  o papel se inverteu.

Com o emocional bastante f*dido, ela limitou-se apenas a trabalhar e estudar, aos fins de semana seu telemóvel sempre vibrava na expectativa de que aceitasse um convite para um café ou chá, convites esses que eram rapidamente descartados com a desculpa – esfarrapada – de que tinha de cuidar do avô. Vale que seu avô encontrava-se em uma idade avançada, mas – como o mesmo dizia- a sua saúde se era de um búfalo, não faria mal que sua neta saísse desse autossabotamento e fosse conhecer o mundo fora os livros e – bem raramente – das séries.

Ela dizia que tudo que fazia se era por preocupação/ zelo, mas no fundo ela sabia que tudo era um escapismo. Se era a ansiedade, de certo que sim; se era o medo, certamente; se era a raiva, também; mas – principalmente – se era a mágoa. Mágoa de sua mãe, pois ao invés de apoiá-la depois de tudo que se sucedeu, virou-lhe as costas. Se é século XXI, porém sua mãe vive ainda no XVIII.

Em meio a todo seu caos emocional, toda a sua fragilidade de se entregar, uma coisa ela tinha certeza – mesmo que de modo paleativo – que f*da-se sua própria sabotagem e outros multifatores degradantes, ela se era grata à ainda estar viva, a seu avô tê-la apoiado mesmo não sabendo de uma parcela da verdade. Ela apenas tinha de aprender a viver para além de seu mundo-protetor e perceber que não se existe isso de “merecer” algo ou não.

 

 

 

Rosa Branca

Por muito tempo o tom de vermelho-sangue se fez presente na minha vida, por hora limito-me a usar boas doses de solvente-reconstrução para tornar-me branca outra vez.

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