Foto: Klickermaan
Comportamento

Ela é que sabe de si

Por amargurados anos, a menina se deparou com monstros, pessoas falsas, amores, desamores, amizades, desencontros, encontros, e uma data de conflitos que a fez mulher – aquela que um dia pensou que nunca seria, não da forma que é hoje.

Quando saiu do seu último relacionamento apenas fugiu até o sítio mais longe da ilha e posicionou-se num dos rochedos, que dava para uma deslumbrante vista. Ali ela jurou nunca mais se dedicar tanto a outro alguém que não fosse ela própria, que não iria buscar felicidade nas coisas, mas sim em si mesma, que iria ser grata por cada dia, por cada dificuldade ultrapassada e que acima de tudo, iria aceitar o seu corpo e o que era, de dentro para fora. Naquele dia a sua motivação estava no seu auge, a vingança corria-lhe nas veias, como as lágrimas no seu rosto, porém ainda que muito magoada ela via naquele horizonte uma nova vida – essa que iria valer totalmente a pena. E ela foi. Colocou o seu melhor sorriso, ainda que fraco e desanimador e partiu em busca do seu auto-conhecimento, amor e felicidade, sem medos ou receios.

Por meses pintou em seu corpo cada conquista, cada lágrima, cada cicatriz e cada esforço, mas ela chegava a casa realizada. Ela era a única que sabia de si e isso bastava-lhe. Não precisava contar suas conquistas e feitos às pessoas, porque elas por si só viam com os seus olhos, que um dia duvidaram, o quanto aquela mulher tinha vencido na vida.

O homem que a magoou também via, a cada dia, o que tinha perdido, porém ela não queria saber. Não procurava que os seus atos ou ela própria fossem aceites pelos outros. Por anos, pensou que a sociedade e quem a rodeava tinha de concordar com suas escolhas, até que aquele senhor, o que lhe magoou, ensinou-lhe totalmente o oposto. A gratidão que a mesma sentia por isso não era palpável sequer. E o ódio? Esse desvaneceu quando sua mente se transformou na melhor arma dela.

Por isso mesmo, ela sabia que cada dor/desilusão tinha valido a pena. A melhor versão de si estava agora bem na sua frente, naquele espelho que, por tanto tempo a viu chorar. Finalmente entendia o quão forte podia ser, o quanto tinha para viver e aprender e acima de tudo, que a missão de fazê-la feliz era somente sua, porque ela é que sabe de si.

Sofia

18 anos e parece que já vivi mais do que isso. Afirmo que sou o que escrevo. Não há forma mais simples e mais elaborada de me descrever. Escrever para mim é viver. É libertar-me de tudo o que me incomoda, magoa e me impede de crescer. Apesar de micaelense, o meu coração sempre irá pedir pelo Porto, sempre será lá o meu ponto de reencontro, de recomeço. É lá onde tudo faz sentido. É lá onde espero viver. O resto? Basta lerem e descobrirão. 

6 comentários em “Ela é que sabe de si”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *