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Textos

Metade de ti, eu dispenso

Eu não sou mais quem eu era. Eu já não sou burra, nem ingénua como antes. Talvez pensavas que sempre seria assim. Entregavas-me as tuas palavras amargas e metade do teu ser e eu contentava-me com isso. Não me contento com metades. Não mais. Ou estás por completo comigo ou então não estás. Não há meio estar e meio não estar. Cansei de esconder-me para que ninguém nos visse juntos. Afinal, é vergonha o que sentes? É vergonha por teres dinheiro no bolso todos os dias de forma fácil e eu ter de trabalhar por cada cêntimo e ainda assim não ter o suficiente para pagar uma renda?

Tens orgulho na pessoa que és? Eu tenho orgulho no que sou, pelo que luto diariamente, por aquilo que tenho. E acima de tudo, orgulho-me de ter coragem para mostrar que eu tenho um namorado de merda que é um rico miserável como todos os outros, onde a ganância e a mania prevalecem dentro de si.

Às vezes sinto nojo de ti, sabes? E tu até lavaste todos os dias, usas esses perfumes caros e falas em números exuberantes que nem em dois meses eu conseguiria ter para pagar as contas, muito menos para esbanjar num simples perfume. Tens a mania que és importante pelo carro que conduzes. É um Mercedes ou um BMW que trazes hoje? Pelo menos, agradeces pelo que tens? És grato por não passares necessidades? Já pensaste como seria se tivesses de trabalhar para comprar os carros onde passeias? O quanto difícil seria?

O que mais me irrita nem é o facto de não teres coragem para dizer que namoras comigo, mas sim por seres tão ganancioso e gabares-te tanto. Um dia, verás que isso é tão errado. Um dia, estarás sozinho com os teus carros e perfumes caros. Ninguém irá querer saber de ti, a não ser do teu dinheiro. Devo ser a única que nunca te pediu nada, nem aceitou dinheiro teu. Nunca estive do teu lado para roubar-te algo. Foste tu que roubaste-me algo tão precioso que nem os milhões que tens no banco conseguiriam pagar: roubaste me o coração. E não, não é sendo clichê que o digo, mas sim dizendo o que sinto. Contudo, eu não posso amar alguém assim, não posso aceitar que tenhas receio de mostrar ao mundo que namoras com uma pessoa abaixo da categoria em que estás inserido. Eu sou assim! Não tenho roupas de marca, nem carros exuberantes, nem perfumes caríssimos. Muitas vezes, nem tenho dinheiro para pagar a renda, nem tampouco para comer, mas não me falta gratidão no peito, nem amor próprio. Ao contrário de ti, sei o quanto a vida custa e o quanto os bens materiais não valem nada quando não somos felizes com o que temos.

Infelizmente, vi tarde demais que não eras o indicado para mim porque de ti nunca quis dinheiro. Fica bem com os teus milhões no banco enquanto no teu peito a solidão reina. Que sejas tão rico monetariamente quanto sou interiormente, — se é que alguma vez o conseguirás ser.

Sofia

18 anos e parece que já vivi mais do que isso. Afirmo que sou o que escrevo. Não há forma mais simples e mais elaborada de me descrever. Escrever para mim é viver. É libertar-me de tudo o que me incomoda, magoa e me impede de crescer. Apesar de micaelense, o meu coração sempre irá pedir pelo Porto, sempre será lá o meu ponto de reencontro, de recomeço. É lá onde tudo faz sentido. É lá onde espero viver. O resto? Basta lerem e descobrirão. 

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