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Textos

Porque nem sempre quando amamos, ficamos

Parte de mim queria ficar, pelo amor que sentia por si, pela forma como me olhava, com as lágrimas a escorrerem-lhe pela face, pelo seu perfume ainda emaranhado em mim, pela força que fazia ao segurar-me firmemente a mão, mas larguei-a. O seu olhar de desespero estava confuso. As dúvidas acerca do amor que sentia por si, vieram ao de cima, confrontar-me, porém já havia dito tudo. Ela não me possibilitava ter um futuro melhor, o futuro que queria. Não éramos capazes de andar lado a lado e apoiar o que o outro estava fazendo, para o seu próprio bem.

Nas relações, nem sempre lutamos por algo benéfico para ambos. Por vezes, lutamos apenas por nós, porque no final, sempre irá restar somente a nossa própria companhia e os arrependimentos.

Eu tentei. Tentei fazer-lhe ver que não estava a desistir dos nossos sonhos em comum por algo só meu. Se estava a conseguir chegar a algum lugar, sem que isso partisse da parte de ambos, era porque, no fundo, eu sabia que seria benéfico, um dia mais tarde, para nós dois. E ela nunca entendeu. E eu fartei-me. Fartei-me de recusar trabalhos de sonho, viagens incríveis devido à sua insegurança para comigo. Afinal, confiava ou não em mim?

Nós não estávamos bem. Já não éramos os mesmos de antes. Eu estava demasiado diferente para aceitar a mediana vida que ela queria ter. Queria ter mais, viver experiências diferentes, conseguir ter o que pensava e ansiava, sem que me puxassem para trás. Porque não podia simplesmente andar ao meu lado? Se pudesse aceitar o queria, provavelmente, poderíamos estar bem e juntos. Tê-la como entrave na minha vida, não era o que queria. O amor que sinto por si, não foi suficiente para ficar. 

Abandonei-a naquele dia, desejando-lhe o melhor. Nem sempre quando amamos, ficamos. Às vezes, amar significa deixar ir. E eu, deixei-a livre para seguir com a sua vida, como iria seguir a minha, por mais que doesse não tê-la ao meu lado.

Sofia

18 anos e parece que já vivi mais do que isso. Afirmo que sou o que escrevo. Não há forma mais simples e mais elaborada de me descrever. Escrever para mim é viver. É libertar-me de tudo o que me incomoda, magoa e me impede de crescer. Apesar de micaelense, o meu coração sempre irá pedir pelo Porto, sempre será lá o meu ponto de reencontro, de recomeço. É lá onde tudo faz sentido. É lá onde espero viver. O resto? Basta lerem e descobrirão. 

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