Foto: Alex Pasarelu / Unsplash
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No tempo certo

Por 8 anos, eu e meu marido tentamos engravidar. Por 8 anos eu chorei cada vez que vi um teste negativo na minha mão. Eu chorava por dias e dias agarrada às almofadas, sem vontade de viver. O meu marido foi um suporte imprescindível; sempre ficou cuidando de mim, da casa, levava-me o pequeno almoço à cama e até apoiou-me quando fui despedida por excesso de faltas injustificadas. Em todo o mundo, ele era o único que não deixava-me cair, que me compreendia, mesmo que fosse difícil para ele também.

O resto apenas julgava. Tínhamos casado cedo (eu com 21 e ele com 24), mas estávamos tão felizes por esse passo, por termos a casa com que sempre sonháramos e por finalmente podermos construir a nossa família. Os planos não correram tão bem quanto esperávamos, mas ainda assim, com as poucas forças que tínhamos, lutávamos com unhas e dentes para que o nosso sonho se realizasse. Mas ninguém entendia. Eu vi todas as minhas amigas se tornarem mães de bebés lindos e saudáveis, vivendo o momento mais especial na vida de uma mulher, vendo a barriga crescer e o peito esbordar de amor. E por vezes, faziam-me repisa, porque eu nunca seria capaz de dar um filho ao Michael. Porque eu não era digna de ser mulher. Desesperei totalmente e por 4 anos eu tive depressão crónica. Eu chorava dia e noite, perdi 20 quilos em menos de 3 meses e cheguei a pesar 40 quilos para os meus 1,70 de altura.

Foram várias noites no hospital em que vi o medo estampado nos olhos do homem que tinha a dádiva de chamar marido. Ele podia ter-me perdido naquelas 4 vezes em que tentei suicídio. E essa perca seria avassaladora para ele, que tanto fazia por mim e pela nossa vida, trabalhando arduamente para manter uma casa e ainda comprar meus medicamentos. Na minha última tentativa, ele olhou-me bem no fundo dos olhos e falou-me “irei fazer uma dívida, mas tu irás fazer inseminação in vitro“. Aquela frase foi um choque para mim. Nós tínhamos a dívida da casa, ele já batalhava imenso para que não faltássemos com nenhum pagamento e estaria se envolvendo em mais uma? Contudo, estava decidido.

Na semana que ia começar o tratamento, por obra de Deus senti-me muito mal. Corremos para o hospital e fiz exame de sangue. A médica voltou para dar-nos parabéns pois iríamos ser pais. O mundo caiu, as horas estagnaram e por uns minutos pensei que estava a sonhar. Como é que depois de 8 anos eu tinha engravidado?! Na nossa cabeça tinha sido um presente, um milagre – esse que precisávamos e pedíamos há imenso tempo -, e que tínhamos de ser (muito) gratos por isso.

Hoje, com nossa filha nos braços, olhamos os céus e só conseguimos agradecer por este presente, por este amor que nem cabe no peito de tão grandioso que é. Finalmente entendemos que tudo é no tempo d’Ele e que por mais que queiramos as coisas, por vezes elas só virão quando nós merecermos. Só consigo AGRADECER!

Tenha fé! Acredite que irá conseguir concretizar os seus sonhos e verá que tudo irá acontecer no tempo certo.

Por Helena, 29 anos, Óbidos.
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