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Crítica: The Haunting of Hill House

Mais uma série original Netflix, baseada no livro de Shirley Jackson de 1959, que vai deixar-vos com sede de mais. The Haunting of Hill House criada por Mike Flanagan, é composta por 10 episódios e foi lançada a 12 de outubro. Aviso antes de mais, que este post contém alguns spoilers.

Como fã de terror e sendo que não vejo muitas séries (praticamente nenhuma) decidi lançarme de cabeça e devorar os episódios, após visionamento do trailer.

Tudo começa em Hill House, uma casa isolada e antiga, precisando de renovações e a família Crain (um casal com cinco filhos – Steven, Shirley, Theodora, Luke e Eleanor). O objetivo do casal seria remodelar a mesma, até agosto do mesmo ano, fazendo várias melhorias, para que pudessem vendê-la e conseguir assim uma casa “fixa”, sendo que estão constantemente, em mudanças. 

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Ao mesmo tempo que começamos a vislumbrar o “começo de tudo”, temos em paralelo os personagens, na fase adulta, renegando a infância sombria que tiveram, alguns com as suas vidas resolvidas.

Nos primeiros cinco episódios, surgem vários solos, por parte de cada um, sobre o seu passado e o seu presente, clareando ainda mais a história da família.  Rapidamente transforma-se num drama familiar. Os conflitos entre irmãos, os remorsos, o pai ausente e vários instantes de conter o fôlego, quando as assombrações surgem. 

Cada um parece ter a sua história, uns tendem a negar o que viram e forçam-se a esquecer, enquanto que Nell (filha mais nova) continua a ver, por vezes, o fantasma que via na sua infância. A senhora do pescoço torto.

A partir do 6.º episódio tudo se intensifica, deixando aquela sede de mais e mais. Com o suposto suicídio de Nell e com várias assombrações no funeral, num dia de tempestade, e com a ida de Luke à casa para incendiá-la (não conseguindo), os irmãos e o pai voltam uma última vez a Hill House, percebendo por fim, o que realmente aconteceu na última noite em que a família esteve junta. Descobrem também o grande mistério por trás da Sala Vermelha. Steven também entende, finalmente, o porquê do pai ter permitido que a casa se mantivesse intacta e fechada ao público. 

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A primeira temporada tem início, meio e fim, podendo a mesma não ter continuação. Tendo em conta o seu fim, julgo que não haverá temporada posterior a esta e acredito que não há motivo para tal. 

Resumidamente, a nível de audiovisuais, elenco e direção, foi absolutamente deslumbrante. Claramente, elevou a faísca para futuras séries a serem desenvolvidas. As cenas de terror, por sua vez, deixaram alguma tensão, porém de modo algum, fora do usual (para quem, como eu, tem o costume de ver filmes/séries deste género). Ainda que este, para mim, tenha sido um ponto menos positivo, em geral, o drama não ficou aquém das minhas expectativas, sendo que eram muito baixas antes do visionamento da série. 

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Os momentos mais assustadores foram: 

  1. Quando Nell confronta Steven, no seu apartamento, sendo que morreu na mesma noite, no primeiro episódio. Foi das primeiras vezes, em que o irmão mais velho, o mais cético dos cinco, viu um fantasma tão perto de si. Vemos o rosto dela a mudar drasticamente, os olhos a ficar translúcidos, enquanto gritava. 
  2. No segundo episódio, no quarto de Shirley, a miúda e a irmã (Theo), presenciam várias estrondosas batidas nas paredes. Não se vê nenhum fantasma, porém assusta ainda mais, visto que sabemos, claramente, que está ali “alguém”. 
  3. Quando Olívia leva os gémeos (Eleanor e Luke) e a filha da senhora que cuida da casa (Abby) para a sala vermelha, onde pretende envenenar os próprios filhos. Foi simplesmente aterrorizador. 
  4. Após o assassinato de Nell, a mesma apercebe-se que a senhora do pescoço torto, sempre fora ela. A personagem revê as cenas em que a mesma aparecia, desde a última à primeira vez (quando ainda era criança).
  5. O assassinato de Olívia, tal como o de Eleanor foram de tirar o fôlego. Conseguimos sentir o seu grande desespero, para que tudo não passe de um sonho e que possam finalmente acordar. Quando não é de todo um mero sonho, dando a entender depois que ambas cometeram suicídio – quando não o foi de todo. 
  6. A última até deixei escapar umas lágrimas. Com a morte de Abby, os pais – que cuidavam de Hill House, desde os antigos donos, e que não estavam na casa após o anoitecer –, pedem a Hugh para que não destrua a casa, pois só na mesma conseguirão estar perto da sua filha (visto que o seu espírito continua lá). A última cena dos dois foi desoladora. Já idosos, chegam à casa, numa noite, onde a mulher morre e surge com Abby e a sua primeira bebé no colo, em espírito. Ainda que a casa tenha feito inúmeras mortes, também tem um poder incrível e esse fica, sem dúvida, evidente. 

O amor é a renúncia da lógica… a renúncia voluntária dos padrões sensatos. Ou nos rendemos ou lutamos. Não podemos ficar no meio.

Portanto, tendo em conta todas as cenas, os momentos de tensão e a história em si, avaliaria The Haunting of Hill House em 8/10. 

Já assistiram? Se sim, o que acharam? Que séries recomendam (em geral)?

Sofia

18 anos e parece que já vivi mais do que isso. Afirmo que sou o que escrevo. Não há forma mais simples e mais elaborada de me descrever. Escrever para mim é viver. É libertar-me de tudo o que me incomoda, magoa e me impede de crescer. Apesar de micaelense, o meu coração sempre irá pedir pelo Porto, sempre será lá o meu ponto de reencontro, de recomeço. É lá onde tudo faz sentido. É lá onde espero viver. O resto? Basta lerem e descobrirão. 

2 comentários em “Crítica: The Haunting of Hill House”

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