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Um café e um coração gelado

Com a chegada do frio, o término das paixões de verão e várias polaroid’s por pendurar, questionei-me como seria, uma vez mais, o inverno. Lá fora, estamos no auge belo do outono: as folhas secas castanhas e amarelas caindo no chão, o vento gelado levando tudo o que não nos faz falta e já há cheiro de castanhas assadas pela rua. É uma estação agridoce. Tanto consigo amá-la hoje, como odiá-la amanhã. Não conseguimos chegar a um consenso – se é que alguma vez, iremos chegar a um –, por mais que me esforce. Contudo, é uma estação que se adequa imenso à minha forma de ser e de viver. É a típica 8 ou 80. Se nos vestimos demasiado, ficamos com calor, mas se nos vestimos pouco, apanhamos uma constipação chatinha. A falta de equilíbrio se resolve, quando temos um café e um coração gelado (para não afirmar que é literalmente, de pedra).

Talvez, o meu problema no verão seja isso mesmo. Ao ter coração gelado, com as temperaturas absurdamente altas, ele termina por derreter – infelizmente, pelas piores razões. Os amores de verão serão sempre os mais apetecíveis, iludidos e desastrosos. Há calor, animação de esquina em esquina, imensa vontade de desfrutar tudo e conhecer várias bocas e corpos que desfilam constantemente, pelas praias cheias de pessoas ocas.

O amor pode ser ardente, mas esse fogo dura menos do que o esperado. Não poderia esperar uma paixão duradoura sendo que a mesma começava no auge do tempo quente. Essas paixões eram apenas isso, paixões que duravam pouco. Vinham com bilhete de ida. O caldo sempre esquentava quando conhecia alguém diferente e desejava que fosse o mesmo nas restantes estações, principalmente no inverno, quando sou ainda mais fria e o coração não derrete com o calor da lareira ou com chocolate quente. Mas esses amores demoram a ser encontrados e para que fiquem, há uma série de comportamentos e aspectos a mudar, em nós e nas pessoas. E quando isto não acontece, deixam-nos o coração ainda mais gelado, mais difícil de descongelar.

Seria mais um inverno em que o pobre gato iria-me aquecer os pés – por simplesmente ter pena de mim (que certamente, deve ter) –, as mantas iriam-me abraçar mais do que as pessoas e o café seria a minha bebida mais consumida. Não poderia ter o prazer de compartilhar chávenas de chocolate com alguém, muito menos tentar aquecer-me num corpo, provavelmente, com temperatura mais elevada do que a minha. Ainda assim, conseguia ser grata por ter uma chávena quente nas mãos e um serzinho no final do chaise long.

Talvez o outono seja bom para isso, para nos prepararmos para algo mais. Há sempre maneira de adoçar o tempo e as pessoas, há sempre maneira de aquecer alguém gelado.

Acima de tudo, deveremos saber viver os momentos e as pessoas ao máximo. Enquanto durar é lucro, é prazer. Quando terminar, há várias memórias que ficam e várias fotos para recordar. Aproveitar as coisas no seu verdadeiro tempo é gratificante. Por isso, há que apreciar cada estação, cada pessoa que passa nas nossas vidas e cada sorriso que damos. No final, são apenas estações que se repetem todos os anos. Não devemos ser tão ríspidos com elas, porque não nos dão o que queremos. Saber esperar é uma virtude, mas que compensa sempre. Resta-me esperar que as folhas caem, que o tempo arrefeça e que o coração aqueça.

Sofia

18 anos e parece que já vivi mais do que isso. Afirmo que sou o que escrevo. Não há forma mais simples e mais elaborada de me descrever. Escrever para mim é viver. É libertar-me de tudo o que me incomoda, magoa e me impede de crescer. Apesar de micaelense, o meu coração sempre irá pedir pelo Porto, sempre será lá o meu ponto de reencontro, de recomeço. É lá onde tudo faz sentido. É lá onde espero viver. O resto? Basta lerem e descobrirão. 

2 comentários em “Um café e um coração gelado”

  1. Lembro bem como eram os meus 18 anos.. quase 10 anos atrás! hehe
    Saudades dessa época..
    Adorei teu blog e tua escrita!
    A nova geração tem feito jus, afinal!
    Peço que visite o meu e siga, caso goste!
    Te seguirei de volta!
    Grande abraço!

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