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Textos

Como sempre faço.

Corria para o sítio mais longínquo que conhecia, sem nunca parar para tomar fôlego, como se estivesse a fugir de alguém, quando só estava fugindo dos meus problemas e de mim mesma. Corria, de modo a tentar libertar o sufoco que sentia, mas ele perseguiu-me em cada esquina, em cada palavra que estremecia ao proferir, em cada coisa que pensei.

Pensei, que se virasse as costas aos problemas que não precisaria enfrentá-los mais tarde. Enganei-me. Virar-lhes costas é como desistir de mim, muitas vezes. Ou quase sempre.

Parei, ao encontrar o miradouro para onde tantas vezes, em tantas madrugadas e tardes, corria para libertar-me do peso, das mágoas, da desilusão que era olhar no espelho e ver tudo desmoronar debaixo dos meus pés, sem que eu tivesse força ou até vontade de fazer alguma coisa para parar a destruição. Encontrar soluções sempre foi uma missão impossível para mim, porque por mais que tentasse, nada dava certo. E eu cansei-me de tentar em vão, de pensar em várias soluções e nenhuma servir para mim.

No fundo, só queria ter um motivo para não sobrecarregar tanto as minhas próprias costas, com a culpa que sinto por não poder fazer mais do que faço. Queria poder fazer algo por mim, mas que desse certo, para poder sentir-me melhor, mas sempre que tento só faço/fico pior.

Não há mal que dure para sempre, nem dor que prevaleça infinitamente, porém já perdi a esperança. Isto não pode ser de todo verdade, porque se assim fosse, já teria parado de sentir o peito sangrar, de estar sempre tudo mal na minha vida, já conseguiria finalmente estar bem. Já nem o ar puro me dá forças de continuar a lutar por algo incerto, que pode nem dar certo. Sentei-me, derrotada. Talvez o melhor, desta vez, seja desistir. (Como sempre faço.)

3 comentários em “Como sempre faço.”

  1. Nunca vamos conseguir fugir dos problemas, simplesmente porque não conseguimos fugir de nós mesmos. Para onde queres que fujas, eles vão contigo.
    Não consegues arrancar o coração e deixá-lo no miradouro, seria tão bom, não era?
    Mas sabes, não tens de ser a super mulher todos os dias. Não faz mal estar de rastos e chorar, não faz mal olhar para o sol e achar que ele perdeu o brilho. É normal, partiram-te o coração.
    Mas faz mal desistir, faz mal colocares nos teus ombros a culpa do mundo, faz mal condenares o teu próprio sofrimento como se tivesses de ser sempre forte, ninguém é sempre forte. Até os super heróis choram, até eles se encostam à parede por não terem forças para ficar de pé.
    Vai ficar tudo bem, é só isto que tens de repetir para ti mesma. Talvez não seja hoje ou amanhã, talvez demore um mês ou um ano. Não te sei dizer quando vais voltar a ver o brilho do sol, mas ele vai voltar a aparecer. Juro-te que sim.
    E quando as forças te falharem, corre até ao miradouro e grita bem alto que és mais forte que a *** da dor, que cais mas levantas-te, uma e outra vez, grita para o céu, para os pássaros, para ti que vai ficar tudo bem. Grita até teres força para mais uma hora, mais uma corrida, mais um dia. És mais forte do que pensas. 😉

    1. Precisamente. Para onde quer que vá, eles vão sempre comigo. Era mesmo bom ahah. Obrigada por isso! Por todas as palavras de motivação. Um dia tudo irá melhorar… beijinho!🧡

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