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Textos

Há dores

Hoje o dia amanheceu mais cedo. Na verdade, nem preguei olho esta noite inteira. Fiquei matutando tudo o que me falavas, tentando entender o porquê do nosso desfecho.

Dizias que há diferentes tipos de dores e todas elas são suportáveis. Às vezes, pensamos que não são. Queremos pará-las a todo o custo, imploramos para que não possamos sentir, pois estamos cansados e saturados de tanto sentir. Há dores que perduram por anos e deixam-nos um vazio imenso. A dor de perder alguém que amamos é suportável sim, pois não dura para sempre. A dor de perder um familiar sempre será maior do que a dor de perder um amigo ou até um namorado. E sim, elas podem comparar-se. Dizias-me por fim, que perder-te seria insuportável, por um período suportável, até que conseguisse dar a volta por cima e seguir em frente (como sempre faço). Não entendia na altura, o porquê de todos esses avisos, ensinamentos. Agora, consigo imaginar a razão de tudo isso. Querias preparar-me para um possível término.

Terminamos faz pouco tempo. Há feridas ainda demasiado frescas que teimo em não cicatrizar. Desta vez, quero que seja no tempo certo. Não quero apressar o meu luto, nem irei implorar para que voltes ou para que este sofrimento termine o quanto antes. Deixarei ele desvanecer, tal como o amor, na esperança de que isso mesmo aconteça e não me lembre de ti, só pelo mal que fizeste.

O sol nasce todos os dias, os dias começam e terminam, a vida anda e as pessoas continuam a (sobre)viver, sem excepções. Um dia o vazio irá acabar, a dor irá cessar, o meu amor irá dissipar e eu voltarei a sorrir, a viver como antes.

Há dores insuportáveis, como também há pessoas que o são, mas neste caso, tu não irás durar para sempre no meu coração e se te quiseste ir embora então é porque, verdadeiramente, mereço alguém melhor. Alguém que sobretudo, fique acima de tudo.

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