Foto: Brooke Cagle
Comportamento

Por longos anos, privei-me de ser eu mesma

Por muitos anos, privei-me de viver diferente das outras pessoas. Tinha de ser educada, não podia fazer barulho ao mastigar, não podia sentar-me sem que as pernas estivessem cruzadas, ou que os joelhos temessem em estar juntos, de gargalhar alto, de mandar o dedo do meio, de mandar alguém para a puta que pariu, de beijar em público, de mostrar meus sentimentos. Por longos anos, privei-me de ser eu mesma. A sociedade ditava e eu cumpria, mesmo que não quisesse, era o mais correto a se fazer – pelo menos era o que pensava, na altura. Até que fartei-me. Dizem que um dia tudo termina por enjoar. Tudo o que é bom começamos a fartar-nos imaginem o que é mau?

Levei até muito tempo, aguentando tudo o que não me fazia bem. Engolia o choro, os sapos, os comentários inoportunos e maus e sem que desse conta, tudo foi acumulando, até não caber mais nada. E quando isso aconteceu, explodi. Por cima de tudo e de todos. Revoltei-me não só com os outros que tentavam moldar-me ao que era benéfico para eles, mas também contra mim mesma. Comecei a odiar este corpo, a desejar não acordar no dia seguinte, porque o sufoco era tão grande que a minha respiração era forçada, pesada e cada dia que passava isso se tornava pior e pior.

Fiquei rebelde e cometi as piores asneiras da minha vida

Sem dó, nem piedade. Não estava nem aí já, para o que as pessoas poderiam dizer e o que podiam pensar. Eu só queria poder mostrar realmente quem verdadeiramente era, com todos os defeitos, desmazelos e tudo o que uma pessoa normal tem e faz. Isso não tinha sido permitido por tanto tempo que quando finalmente dei-me permissão para tal, não sabia bem o que estava a fazer/dizer, mas fazia e dizia, sem arrependimentos ou pesos de consciência.

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