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Textos

Se ao menos eu te odiasse.

Gritei mil vezes que desistia de ti em voz alta para eu própria ouvir. Mas não escutei. Esperei sempre que voltasses com algum berro meu. Com medo ou quem sabe saudade. Tu voltavas e partias de novo e a história voltava sempre ao início, eu gritava que te ia esquecer mil vezes para me ouvir e me convencer.

Se ao menos eu te odiasse. Era tudo muito mais fácil. Eu seguia carregada de ódio mas seguia em frente. Para longe de ti, sem vontade de regressar. Sem te querer ver ou ter mais por perto. Eu ia e não olhava para trás mil vezes em cada rua, mesmo sabendo que não te vou ver, eu procuro. E se te odiasse eu não procurava, não me lembrava de ti, ou lembrava mas só para te odiar e esquecia. Relembrava de novo e odiava sempre mais um pouco. Mas a verdade é que a única coisa que odeio é amar-te. Querer-te bem perto, acreditar que é possível. Lutar é ter coragem, mesmo que o tempo e tu me prendas bem longe de ti. É como se estivesse entre a espada e a parede e ambas magoam. Carrego a dor e o amor de ti. A saudade aliada, queima-me e faz-me chorar sozinha porque tu não me podes ver sofrer, nem chorar, nem saber que te amo, faz tempo.

Às vezes, faz parte deixarmos ir as pessoas, mas deixar ir sem nunca ter é pior. Cheguei tão cedo e dei por ti tarde demais. O arrependimento é um sentimento que tem dois sentidos, por um lado mata por não ter sido e por outro mata por ter acontecido. É assim meio confuso como eu odiar amar-te. É na mesma intensidade. Não sei que te dizer mas esta é a carta que nunca te escrevi, porque eu sei que tenho que te deixar ir, mas e tu, deixaste-me ir?

Todos os dias quero-te odiar e esqueço-me de te esquecer.

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