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Sorriso salgado.

E lá vai ela, dona de si e do seu nariz. Uns olham com os olhos cheios de inveja, outros de julgamento. Mandona. Arrogante. E ela olha-se com os olhos cheios de lágrimas, que ninguém vê e ninguém sente. Mas vai na mesma, com o seu olhar em frente, sem nunca olhar ao redor com medo de perder o sentido.

Sente o toque dos olhares dos outros. Sente os julgamentos que lhe pisam a pele em tom cinza negro. Mas ela segue e enche-se mais um pouco de água salgada. E sorri, até dá gargalhadas e volta a esconder-se. Diz uma palavra e esconde-se por detrás de um silêncio, onde os outros riem e falam. Palavra errada, passo errado, sempre no tempo errado. É uma sina.

Mas alguém chega perto e pede ajuda. Ela chega-se perto e dá um conselho, faz alguém feliz. Missão cumprida e volta para casa, no fim de mais um dia. Tira a capa e foge de si mesma. Fecha a porta do mundo atrás de si e chora. Fala. Sorri e até dá gargalhadas a noite toda. Dá a sua opinião e mostra o seu ar simpático. Olha em redor e conhece todos os pormenores. É feliz e adormece a sorrir para sonhar.

Só porque não vês as lágrimas não significa que ela não chore. Só porque ela não resmunga não quer dizer que seja da tua opinião. Só porque ela não entristece não quer dizer que seja feliz. Só porque ela não mostra, não quer dizer que ela não sinta. Só porque ela não fala não quer dizer que ela não pense. Ela chora e muito. Ela resmunga e muito. Ela entristece todos os dias ao amanhecer. Ela sente tudo ao pormenor. Ela fala, fala muito consigo mesma porque ninguém a vai querer ouvir.

E lá vai ela, em silêncio com todos os gritos do mundo da sua cabeça. E ela não fala, não se vê. Mas sorri, mesmo carregando todas as tristezas do mundo. E lá vai ela, mesmo tendo chorado o dia todo, sorrindo para todos. Esquecendo de sorrir para si mesma.

Mas na realidade, ninguém quer saber.

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