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Textos

Teu dia.

Hoje bebi saudades tuas no café da manhã. Com açúcar, mas bem amargo. Decidi pegar num guardanapo e escrever-te uma carta de saudade. Daquelas que caem gotas de café e de lágrimas salgadas de ti. Daqueles que parecem de amor e carregam a maior tristeza do mundo.

A saudade é quotidiana. Já faz algum tempo que entrou na minha rotina, é como beber café assim que chego à faculdade. Eu acordo para me lembrar de ti e depois vou-me deixando esquecer ao longo do dia da saudade que continua lá. Mas há dias e dias. E hoje é o dia de carregar a saudade bem juntinha a mim. Não consegui sorrir, mesmo sabendo que era aquilo que mais querias que eu fizesse. E que bom era puder passar contigo o dia do teu aniversário. Quando era pequena perguntava se o céu tinha correios, queria-te perdoar e acreditar que nunca é tarde demais para o fazer. Contigo aprendi que a vida é demasiado efémera para esperar um agradecimento ou esclarecimento. Só há tempo para amar, na realidade.

Todos os dias me lembro do teu sorriso com medo de me esquecer, entre as mil coisas que tenho na minha cabeça. A saudade foi a melhor invenção do mundo. Permite-nos guardar e relembrar o que não queremos esquecer. Deixa-nos a memória fresca do que já não temos no quotidiano. Lembrar do que outrora fora nosso e partiu, assim como tu.

E hoje é o dia do teu aniversário e o teu lugar está vazio na mesa. Mas eu perdoo-te, avô.

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