Foto: Priscilla Du Preez / Unsplash
Textos

Tu não mereces ter-me na tua vida.

Estou ausente. Não respondo, tão prontamente, às tuas mensagens, nem mando mais “bom dia” ou “boa noite“. Pensas que já não penso em ti, que te esqueci. A verdade é que penso em ti, diariamente. No caminho para o trabalho e no caminho para casa. Em casa. Em todos os lugares por onde passo, na esperança de ver-te, novamente. Todas as músicas lembram-me de ti. Passei, no outro dia, por um rapaz com o perfume igual ao teu e pensei, confiadamente, que eras tu e que me tinhas vindo buscar ao trabalho. Todos os rapazes de barba se parecem contigo. Ando a enlouquecer e por isso mesmo, preferi desaparecer de repente, mas não por completo. Afinal, tu não precisas de mim para coisa alguma e já me provaste isso mesmo, quando disseste que acordavas com o despertador e a minha chamada era inoportuna.

Engoli em seco, todas as negações que me fizeste, todas as vezes em que substituíste um “amo-te” por um “gosto muito de ti”. E dói, caraças! Dói muito saber que do nada deixaste de ser tudo aquilo a que me agarrava e magoa muito mais saber que apeguei-me demasiado a ti.

Dizes sempre que não me mereces. É verdade sim. Tu não mereces ter-me na tua vida e apesar disso, não aproveitas a minha passagem quando o que mais quero é ficar, por um pequeno infinito. Nem sempre merecemos as pessoas que aparecem no nosso caminho. Contudo, em vez de agradecermos por tê-las, desprezamos a sua companhia e tudo o que elas foram capazes de fazer por nós.

Afastar-me de ti dói mais em mim. E sempre irá doer muito, porque amava-te de verdade, quando tu só pensavas noutra comigo. Não vale de nada negares agora, pois já só somos uma memória, uma vivência que correu mal. Acho que no fundo, sempre soube que nunca a tinhas esquecido, mas fingiste muito bem todos os sentimentos que proferias, ainda que não os sentisses. Não me importava que não os dissesses, desde que fosses capaz de senti-los.

Foste, em três anos, a minha maior paixão quando para ti não passei de um passatempo, de uma boa noite de sexo e de coisas fúteis que qualquer um/a consegue comprar. Tu tiveste-me por inteira, quando mais ninguém o teve e desperdiçaste essa oportunidade. Hoje, graças a ti, sei que não posso dar o melhor de mim a putos como tu, que dizem coisas que nem sentem. Que são capazes de estar com alguém para esquecer outra pessoa, que magoam desta forma, quem lhes ajudou imenso.

Mas não, não penses que deixei de sentir algo por ti. Não penses que já te esqueci. Ou melhor, pensa mesmo isso, talvez assim não te saiba tão bem a vitória estúpida que carregas. Provavelmente, só assim entenderás todas as minhas atitudes e o porquê de não te ligar mais.

(Espero, verdadeiramente, que ela consiga dar-te o que te deu até agora. É isso que mereces.)

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