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tu sempre voltas

Confesso que sou burra. Voltaste-me as costas, de novo, depois de um infinito tempo de espera. Pergunto-me várias vezes, o porquê de ainda esperar por ti, o porquê deste sentimento voltar a cada mensagem tua. Tudo isto magoa. Quanto mais quero odiar-te, esquecer-te, mais me lembro de ti. E se eu te odiasse era bem mais fácil esquecer-te, arrumar todas as nossas memórias no baú de recordações e lições e seguir em frente. Não dá.

Parece que sempre que estou pronta a esquecer-te, a dizer-te que não dá mais, que não consigo prolongar mais esta dor só porque este amor existe, tu regressas e dizes-me todas aquelas palavras bonitas e pões em questão tudo o que já estava decidido. Foges dos meus sentimentos e recusas-te a falar sobre os teus. Não sei se gostas de me ver sofrer ou se só me queres para teu bel-prazer. Contudo, estou farta e cansada de tanta espera e nenhuma mudança. Em tão pouco tempo nos tornamos poeira, porque não dura muito até que haja uma confusão qualquer ou uma cena de ciúmes ridícula. Terminamos sempre por discutir, deixas de me falar e ficamos por aí.

Mas tu sempre voltas. Dás-me a mão e eu perco a noção das horas e do chão. Só tu importas e eu desligo-me de mim. Destruo-me, distorço-me, mudo. Tudo por ti e nada por mim.

Quero ganhar coragem e dizer-te que acabou. Que não quero mais sofrer. Que estou cansada dessa espera e de nada mudar. Porque se tudo mudasse, podíamos ser diferentes. Tudo seria diferente. Só que já não posso agarrar-me às dúvidas que tenho de possíveis arrependimentos. Não posso manter este sentimento aceso, quando só te lembras de mim quando fazes scroll pelo teu rolo de câmara. Não posso manter isso só porque vês-me e o clima volta.

Isto vai doer. Sei que vai. Só que a causadora da prolongação da dor também fui eu. Mas chega. Chega de continuar à espera que me digas algo que queira ouvir, porque isso nunca vai acontecer. Chega de tentar fazer-te ver o quanto gosto de ti e o quanto importas para mim. Chega. Acabou. Quero desunir as mãos, de uma só vez. Para sempre.

Larga e agarra não é para mim. Não mais. Só dói em mim. Só eu sinto. Portanto, só eu tenho o poder de terminar tudo.

1 comentários em “tu sempre voltas”

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