Foto: Sandrachile / Unsplash
Textos

Desejo-te o melhor.

Vi-te e mal podia acreditar. Por momentos, pensei que preferia não ter visto o que vi, mas em seguida entendi que o melhor foi ter passado por ti, naquele dia. Deste-me todos os motivos e mais alguns para odiar-te e não odiei. Ignoraste-me vezes sem fim e não desisti de ti. Brigavas e estavas chateado por coisas insignificantes, não te entendia, mas pedia desculpa, ainda que não tivesse de fazê-lo. Contudo, ver-te com ela foi a maior das razões para finalmente arrancar-te do meu coração.

Não tolero traições. Fui paciente demais, aturei merdas que nem deveria, ajudei quando não merecias, esperei quando deveria ter seguido em frente. Fui burra. Confesso que o fui. Dizias que ias voltar e, possivelmente, nessa volta te aceitaria. Tão idiota. Como pude manter esta mesma pulsação por ti, quando nada fazias por ter-me? Quando nem me merecias?

Queria poder dizer-te palavras horrendas, cuspir todo este sofrimento que me fizeste passar, mas seria pouco para te tirar esse sorriso do rosto. Queria poder odiar-te, porém não sou de guardar no coração pessoas que não merecem estar na minha vida. Nem fizeram nada por ficar.

Tu foste. E eu sempre soube que era apenas com bilhete de ida, ainda que afirmasses, incansavelmente, que haverias de voltar. Esperei, feito tola, por alguém que à partida tinha saído da minha vida, de uma só vez.

Não te dei motivos de partida. Dei-te vários de volta. Não voltaste. Agradeço-te por isso. E agradeço-te ainda mais por me teres feito ver que não sou invencível, como pensava que era. Que nem sempre vejo tudo nas pessoas. Deixei-me seduzir por ti, quando só me atiravas areia aos olhos, diante de todos. Eu própria os tapava. 

Apesar de toda a dor, de tudo o que gastei em vão contigo, não te odeio. Desejo-te o melhor. A sério. Ainda que te tenha visto com a tua ex. Ainda que saiba que estavas comigo, mas pensando nela.

Uma de muitas coisas que diferenciam o meu carácter do teu é que consigo desejar-te o melhor, ainda que me tenhas feito passar pelo pior. Nisso e em todo o resto, sempre fomos diferentes. E ainda bem. Agora é a minha vez de ir.

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