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Textos

Mar de sensações.

E num ápice o chão fugiu-me por entre a multidão de pessoas. Pessoas que me iam apertando e sufocando. O meu corpo ganhara agora vida própria.

Os meus dedos tilintavam uns nos outros, batendo nas minhas pernas compulsivamente. Os meus dentes cerravam e eu sentia-me ser devorada pelo mundo. As portas trancaram, as janelas encerraram sem mais sol, nem mais luz. Eu ganhei escuridão própria.

Escondi a minha face entre as minhas mãos trémulas e vazias, gritei e ninguém me ouviu. Chorei sem suar o rosto. Mas a minha alma mergulhou num turbilhão de sensações que se iam cruzando e debatendo, umas com as outras aos berros. E tudo me tocava, magoava, se fazia sentir. As pessoas berravam enquanto sussurravam cusquices matinais. Chovia num dia solarengo de Junho. Olhavam-me como se algo estivesse errado comigo e estava mas elas não sabiam. Nunca sabem.

A respiração falhou-me e eu toquei com os pés no fundo como um impulso. Subi à tona deste mar de sensações que me afogavam em mim mesma. Voltei à tona e respirei de novo. Olhei a luz do dia e balancei o meu corpo na água gelada, mas que eu senti em cada parte do meu corpo. As lágrimas confundiram-se com gotas de água salgada, balancei o meu corpo e tudo ficou pleno. E assim, aprendi a flutuar e atraquei em terra firme.

Todos somos sereias no nosso próprio mar.

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