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Reflexão

Não tenhas medo de arriscar

Hoje, pela primeira vez em muito tempo, vesti um vestido em plena primavera. Não gosto de usar vestidos e quando os posso evitar (e arranjar desculpas para não os vestir), mais fácil se torna odiá-los.

Não sei bem o porquê, mas vi o céu completamente azul e pareceu-me que iria fazer um típico dia de verão. Abri o guarda roupa e vesti um vestido floral, fluído. Aquele que franzi o nariz quando a minha avó ofereceu-me pelo Natal. Esta miúda que detesta flores vestida com padrões florais? Nem por sombras – mas aconteceu. Pior de tudo isto foi ter optado por não usar collans. Muitas primeiras vezes, em apenas um dia. Podia ouvir a minha mãe berrar, feito doida, que milagre. Bebi, como de costume, o meu café, repensando todas as escolhas tomadas. Não fosse me arrepender…

Andei pela rua agarrando o tecido, disfarçadamente, com medo que o vento me balançasse a saia e ficasse menos composta. Por diversas vezes, passou-me pela mente, os comentários que poderiam surgir, visto que quaisquer pernas femininas à mostra, são motivos de piropos e coisas porcas. Contudo, para bem de mim e do meu dia – que até então estava sendo diferentemente bom –, apareceu-me ele. Estranhamente, trazia uns calções azuis vestidos. Cumprimentou-me, tocando-me gentilmente no braço e abriu o sorriso mais alegre que alguma vez vira no seu rosto.

Estás bonita, diferente. Mais especial. Abaixei a cabeça e senti as bochechas ferverem. Era um simples comentário, porém vindo dele era especial demais para caracterizá-lo como um comum. Não tenhas medo de arriscar, miúda. Há coisas que valem os riscos. Piscou-me o olho. Sabia a que se referia, mas não podia. Não podia arriscar dizer (-lhe) o que sinto.

Seguimos por diferentes ruas. Despedimos-nos com um sorriso tímido. O sol já queimava a pele que tinha exposta. Ainda que não conseguisse seguir à risca o seu conselho, o dia correria muito bem. Disso tinha certezas. Nada que um pouco de sol não resolvesse e uma visita ao mar não curasse. É sempre bom arriscar, mesmo que isso seja um simples ato, como usar um vestido de verão na primavera.

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