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Crítica: Tully

⚠ ALERTA SPOILERS ⚠

Ultimamente, têm sido bem poucos os filmes novos que tenho visto do princípio ao fim. Tully, por sua vez, suscitou-me o interesse por envolver alguns problemas da maternidade.

O filme veio aos grandes ecrãs, pela primeira vez, em 2018. Tendo uma pontuação de 7,0/10 no IMDb, o drama/mistério é bem mais complexo do que parece, à primeira vista.

A maternidade por si só já é um período muito exigente para a recém-mãe e esse período ainda consegue piorar se adicionarmos dois filhos e um marido que não ajuda. Ainda que possamos pensar no quão esta realidade se aproxima ao século passado, há realidades diferentes. Há quem ache que os filhos são inteira responsabilidade da mãe. Quando são de ambos os progenitores.

Foto: IMDb

O drama retrata-nos exatamente essa perspectiva. Nos primeiros minutos do filme, vemos a rotina atarefada de Marlo (Charlize Theron), mãe de dois filhos e grávida do terceiro, na fase dos 40  – por si só, uma fase já muito desgastante na vida de uma mulher. Para além de ter de se preparar para a nova etapa que se avizinha, ainda tem de lidar com o facto do filho Jonah necessitar de cuidados especiais na escola.

Num jantar a casa de seu irmão, Craig (Mark Duplass), que vive uma vida superior à da sua irmã, tendo maiores possibilidades financeiras, o mesmo oferece-se para pagar uma ama noturna a Marlo. Nesse discurso entendemos que na última gravidez, a mesma sofreu de depressão. Ao princípio, a mulher nega a oferta e diz não necessitar de ajuda.

Foto: IMDb

Após o nascimento de Mia, tendo um marido que limita-se a jogar Playstation, com a privação de sono, amamentação e a rotina dos filhos, aceita a oferta.

Com a vinda da ama noturna – Tully (Mackenzie Davis)  –, Marlo acorda apenas para dar de mamar e sente-se bem mais disposta. A jovem que a ajuda, todas as noites, se parecesse muito com Marlo em adolescente. As duas se divertem, vendo filmes ou bebendo sangria. A recém-mãe começa a pensar no que podia ter acontecido se não se tivesse tornado mãe, se tivesse optado por outras escolhas.

“Seus vinte são ótimos … mas então seus trinta aparecem no caminho de volta, como um caminhão de lixo às 5 horas da manhã.”

Até que, numa dessas noites, as duas decidem ir a um bar. Completamente embriagadas, conduzem até casa. De repente, o carro despista-se e cai de uma ponte.

Foto: IMDb

No hospital, o desfecho é completamente inesperado. O apelido de solteira de Marlo e o porquê do acidente demonstra que Tully nunca foi real. Visionamos todas as cenas até então, onde a vemos sozinha.

O drama mostra que o mundo continua a exigir demasiado às mães. Tanto o pai como a mãe têm de trabalhar em conjunto para que tudo dê certo. Tanto na educação, como nas tarefas domésticas. E o facto das mães terem de continuar sexy’s para os maridos, tendo em contrapartida o corpo pós-parto é irónico.

Num diálogo entre Marlo e Tully, a jovem diz que As mulheres curam-se.” ao qual a mais velha diz “Não, não nos curamos. Podemos parecer melhores, mas se vires com atenção, estamos cobertas de corretor”.

Profundo? Pois é. Se pensarmos um pouco, isto não se aplica somente na maternidade, mas sim em todo o resto.

Tendo em conta a história, a maravilhosa interpretação de Charlize Theron – que surge bem diferente do que estamos acostumados a ver –, e as lições que se debatem, classifico em 8,0/10.

Já assistiram? Quais são os filmes que recomendam?

2 comentários em “Crítica: Tully”

  1. Confesso que esse filme nunca me despertou o interesse, mas, a tua opinião quanto ao filme e o que foste partilhando acerca dele deixou-me com curiosidade.
    Vou dar uma hipótese a este filme e ver esse lado mais difícil na vida das mulheres na qual dizem também que é o mais mágico.
    Beiinhos,
    https://sobomeuolhar7.blogspot.com/

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