Foto: Erik Mclean / Unsplash
Reflexão

Está na hora de parar

A rotina nos consome de tal forma que nos aparentamos a robôs. Seguimos por rotas definidas, andamos pelos mesmos sítios, fingimos sorrisos, mentimos sobre a infelicidade e relevamos o cansaço. Eu só preciso que tudo isto pare. A agonia de chegar a casa mais cedo, para poder fazer mais umas quantas tarefas. O stress de não conseguir sair a horas, nem de passar o batom que tanto gosto, porque já se faz tarde e há hora de ponta. O não poder marcar encontro algum, pois não me resta tempo para aproveitar a vida.

Afinal, ser adulto é isto? É trabalhar para ter dinheiro e ter dinheiro para poder viver e comer? E o resto? Será que fica tudo em decadência? Será isto o rumo que quero? Não foi este o desfecho que previ. Restava-me ainda algumas esperanças de que o que diziam era mentira. Não é. O pior de sabermos que não é uma mentira, é termos de encarar e viver com a verdade/realidade. Custa. Não posso mentir.

Há dias em que só quero fugir, porque cansa estar cansada de tudo e ao mesmo tempo não saber os motivos. Numa escala de 0-10 não sei especificar o quão exausta chego à cama. Contudo, também não sei precisar o porquê de todas as insónias que me impossibilitam de descansar, após um longo dia. Elas acompanham-me há tanto tempo, que já fazem parte da rotina. Já me parece ser normal a impossibilidade de deitar e dormir.

Às vezes, questiono-me se vale a pena deitar, se à partida, sei que não irei adormecer. A noite engole-me quaisquer possíveis esperanças sobre a recuperação.

Já não se é viver. Se é sobreviver. Dia após dia. Como se nunca fosse terminar e isto se parecesse muito com uma montanha russa que não para de girar sobre si. Tudo gira à volta do trabalho e das contas para pagar, no cansaço acumulado que não sai dos meus ombros e nem por um segundo, gira à minha volta.

Talvez o problema de tudo isto é não saber como parar, a hora de o fazer. Temos limites, pois claro. Não se é por acreditar que conseguimos aguentar mais e mais, que nos irá ser mais reconfortante. Adiamos caos. É como varrer para debaixo do tapete o cansaço que temos, cada vez que não dormimos e vamos trabalhar. Semana após semana. Continuará tudo na mesma, até sermos capazes de arrumar um jeito e decidir outra rota.

Está na hora de parar e ir apreciar o mar. Ter tempo para o que se gosta e que faz bem.

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