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Textos

Dar a mão a nós mesmos.

A vida dá demasiadas voltas para acreditarmos que estamos em terra firme. A vida é mar, constantemente revolto.

Partimos e voltamos todos os segundos e estamos num alvoroço quando caímos nos braços de alguém e tudo fica mais calmo. E olhas à tua volta e não sabes onde te agarrares, as pessoas parecem olhar demasiado para o seu umbigo para te segurarem. Agarraste aos cabelos e cais contigo nas mãos.

As pessoas pensam sempre que a fortaleza que criaste é de ferro, quando apenas é de sabão. Que não precisas de chorar quando tens em ti um oceano inteiro. Que não tens problemas quando tu mesma és o teu problema. E de dia tu és o espelho disso, sorridente e independente, dona do seu nariz que faz o que a cabeça manda. Sozinha na sua solidão sentes tudo ao pormenor. Até o calor do sol a aquecer a pele parece que te magoa. Só ouves ruído na tua cabeça e estás completamente sozinha, já nem a ti mesma te encontras. Mas deitas a cabeça no teu próprio ombro, ouves o teu próprio lamento e agarras a tua própria mão. E uns dizem que a solidão é um abismo sem retorno e eu concordo. Mas não vamos generalizar. Porque existe retorno, mas aprende-se por quem vale a pena sair do mar e sentar na areia ou por quem vale a pena agitar as águas.

Tu só estarás sozinho quando te perderes dentro de ti, porque enquanto estiveres do teu lado, tudo estará certo. Nunca estamos sozinhos, será por isso que temos duas mãos? Uma para os outros e outra para nós mesmos. Precisamos de aceitar as nossas falhas e as nossas vitórias para aceitarmos os outros tal como são. Cada pessoa é o seu próprio reflexo e de mais ninguém.

Permite-te dar a mão a ti mesmo e sorri.

2 comentários em “Dar a mão a nós mesmos.”

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