Foto: Tumblr
Textos

Não deixamos de amar.

Nunca deixamos de amar alguém. Mesmo que o tempo se esgote com essa pessoa, já está, não há maneira de voltar atrás. A pessoa já entrou na tua vida, marcou e mudou-te, principalmente.

Quando amamos de verdade e sabemos a outra pessoa de cor é impossível começar de novo, limar a tábua até ficar de novo rasa. Nunca mais vamos passar pela pessoa e achar um vazio, um desconhecido. Podemos esquecer o número, a morada, até mesmo o nome mas nunca vamos esquecer a pessoa, mesmo que o cabelo tenha mudado e engordado um pouco.

As pessoas não se esquecem, são constantes memórias a longo prazo. Apenas deixam de ser peças que se encaixam na nossa vida, de excitar borboletas no estômago e deixamos de querer de volta. Até as pessoas que passamos a odiar, nunca deixamos de amar ou até amamos mais que as outras.

As pessoas são acumuladas. Ninguém substitui ninguém. Nunca se ama mais este que o outro. O amor é peça única. Só amamos mais no momento, mas não são tubos de ensaio que colocamos lado a lado e compramos a medida a olho nu. Não há matemática nem ciência que meça o amor.

Hoje talvez amar menos seja amar mais que nunca, tudo se mede consoante a circunstância da vida. Não é uma questão de amar muito, mas sim com o pouco que temos. É dar tudo o que temos para dar. Já tive tanto e dei tão pouco, hoje tenho pouco e é tudo o que tenho. Já recebi tanto e tinha tão pouco espaço para receber. Hoje recebo pouco e completam-me.

Apesar de amarmos para sempre o angulo de visão muda, ao que chamamos superação. Superamos que a areia não cai mais na ampulheta, que é passado. É fechar a caixa mesmo sabendo que ela continua no quarto dos fundos. Simplesmente não ver mais mas saber que lá está, mas não incomoda mais, não pesa nem é mais um sentimento que carregamos na bagagem quotidiana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *