Foto: Eric Ward / Unsplash
Às quartas desabafamos

Não há canudos no amor.

Não preciso de uma licenciatura para fazer sorrir ninguém. Não há engenharia, nem medicina que saiba mais que a simplicidade para fazer sorrir outra pessoa. Ninguém precisa de calçar os sapatos mais envernizados para levar ninguém a passear, até porque os melhores passeios à beira mar são descalços.

A essência de alguém não se passeia num bom carro, nem num bom fato, nem nuns caros saltos altos. Isso é um bónus nos apaixonados de verdade. Não gostamos de quem fica melhor ao nosso lado, mas quem fica de verdade ao nosso lado. Desde o acordar de pijama sem maquilhagem, ao casamento da família de fato e gravata. Isso é um transbordo do que já era amor antes disso.

Vão sempre ter assunto, porque não vão falar de engenharia, nem de economia. Podem falar do quanto é bom a fazer sorrir e do que querem aprender juntos. Ninguém sabe tudo e amar também é ensinar, sem julgar. Ter a sinceridade de dizer “o acento é ao contrário” e não ter vergonha de ser corrigido. É aprendizagem mutua, ensinar e deixar-se ser ensinado, amar e deixar-se ser amado. Tu não és o empregado de mesa e ela não é a médica. Têm nomes próprios, essências próprias e quem não vir isso é porque não quer ver.

O amor não olha ao canudo na mão, ao estatuto social, ao sexo, à cor ou à religião e quando for assim, simplesmente não é, não é nem amor nem nada. Oferece-lhe uma flor e rouba-lhe um sorriso. Leva-a à praia e rouba-lhe uma gargalhada. Diz que a amas e rouba-lhe um beijo. Despe-a e rouba-lhe um arrepio. Ama-a e deixa-a roubar-te tudo de volta. Não é caro, mas é amor.

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