Foto: Lawrence Suzara / Pexels
Às quartas desabafamos

Passado ou presente?

As pessoas entram e saem da nossa vida. Todas elas têm momentos próprios, apesar de às vezes serem as pessoas certas nos momentos errados, ou vice-versa. Mas a teoria é só isso mesmo, balelas espetadas em livros que de nada sabem da vida.

Olhamos para locais que nos ficam eternamente marcados, por mais bizarros ou insignificantes que sejam. Não queremos lá ficar, mas fazem-nos viajar no tempo, rebobinar a cassete e sentir um nó na garganta. É saudade do que fomos, mas não queremos mais. E acabamos por voltar aos lugares, pôr a cassete no tempo correto e criar novas memórias nos mesmos lugares onde já vivemos tanto. Pintamos as paredes com tinta fresca.

O mesmo se passa com as pessoas, elas entram na nossa vida por mais certas ou errados, deixam a sua marca e depois vão embora. Às vezes sem vontade própria de ir, mas faz parte da vida partir quando não dá para ficar mais. Mas não deixam de fazer parte do que nós somos ou fomos, da nossa história. Podemos esquecer o número para o qual ligamos tantas vezes para ouvir aquela voz, podemos esquecer a morada daquele abraço-casa, até podemos não mais lembrar o nome completo mas jamais nos vamos esquecer do rosto de quem sabíamos de cor. E por mais anos que passem, por mais rostos que conheças, há alguns que nunca vais deixar de lembrar.

E a vida nos atraiçoa, cruza ruas paralelas em sentidos contrários e passado muito tempo voltamos a encontrar esses rostos desconhecidos que tanto conhecemos. E tudo parece voltar ao passado, mas não volta. E a saudade invade o nosso estômago e pensamos ser borboletas que não são. É saudade, nostalgia e memórias boas que nos invadem o pensamento. Mas saudade não é sinónimo de querer de volta.

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