Somos tão solitários que buscamos conforto em palavras vazias Foto: Freestocks.org / Unsplash
Reflexão

Somos tão solitários que buscamos conforto em palavras vazias

Mãos que não se tocam. Olhares que não se trocam. Palavras não proferidas. Assuntos por resolver. Pessoas por perdoar. Mente que não para. Vida que anda. Coração que treme e abranda. Outrora, saltava, aos pulos, ofegante, sem parar.

Um dia, tudo para. Parece que tudo para quando nós não nos damos margem de absorver o que está à nossa roda, das pessoas que nos olham. E perdemos oportunidades. Perdemos oportunidade de conhecer almas novas, de aprender algo novo, de começar a olhar mais para o mundo real e menos para o virtual.

Os dedos não param. Se pararem, o cérebro não dá tréguas. A ansiedade volta e irá ficar por uma longa temporada alojada. Porque não? A vontade de fazer mais e mais e mais, que dá como resultado menos e menos e menos. Porque não há vontade de fazer o que nos faz bem, mas há vontade suficiente, para dar e vender, para o que é errado, para o que destrói a nossa sanidade mental. Contudo, a vida anda, a tecnologia aumenta e evolui e estamos todos nós a caminhar e a contribuir para um desfecho tão sombrio e frio, tão solitário e idiota.

No final, seremos todos alimentados por likes, por redes sociais e por palavras que não nos consolam a alma, mas que se lixe, no nosso perfil diz que temos 5000 amigos. De que vale se são mesmo amigos ou não? As aparências são as que mais importam. O que pensam que têm, quando não o têm.

No fundo, somos tão, mas tão solitários que buscamos conforto em palavras vazias de pessoas otárias e ocas. Escolhemos andar assim sabendo das consequências. A culpa é sempre nossa, porque nos alimentamos disso e passamos a alimentar tudo o que é mau.

Um relacionamento, hoje em dia, não passa de um status no Facebook. Amigos não passam de listas intermináveis de pessoas que nunca se irão reconhecer na rua, porque há uns que moram longe demais para os ver. Os lugares aonde vamos só serão bons para stories no Instagram, para mostrarmos ser aventureiros quando nem tiramos a cara do ecrã do telemóvel. E a vida passa-nos ao lado, enquanto estamos online vivendo uma vida que não é a nossa. Mas estamos bem. Estamos completamente vazios com tudo isso. Que se lixe! Pelo menos temos vida social, no virtual! Valha-nos isso, não? Ufa!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *