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Amor ou carência.

Aprendi que existe uma diferença entre a carência e o amor. Passamos a vida toda à procura da nossa outra metade, de amor, de alguém que nos receba em casa ao final do dia. Alguém que nos diga coisas bonitas, que nos deseje um bom dia. Que nos mime, nos elogie, nos corrija, nos abrace, nos ame. Mas isso é carência, confundida com amor.

Amor é sermos completos e transbordar para partilhar com o outro. É termos a certeza que merecemos tanto quanto recebemos. É darmos sem querer um retorno. Elogiar e amar sem ouvir um “também”. É sermos aquilo que somos e não aquilo que dizem que somos. Procurar o abrigo em nós mesmos e não nos outros. O outro ser é lucro e não garantia. Sabermos os nossos gostos para aceitarmos os gostos do outro. Sabermos o nosso lugar favorito, para conseguir aceitar o do outro. Sabermos a nossa música favorita para ouvirmos a do outro. Sabermos quem somos para aceitarmos o outro tal como ele é. Isso é amor.

Mas o amor só existe quando existe o amor-próprio, quando nos amamos e reconfortamos acima de tudo. Amor não é precisar, e fazer só porque sim, talvez esteja aí a inocência de ser criança, porque é só porque sim. Aprendi que amor é ficar até ao fim, sem pedir nada em troca, sem esperar nada. Saber abandonar quando for para abandonar. É libertar, porque amor não é para ser preso.

Acabamos por nos entregar à carência e esquecemos de amar. Amar-nos a nós mesmos. Afinal, nem todos os fins do mundo são fins, por vezes são apenas novos recomeços. Pois não podemos querer ser o melhor de uma noite, se não formos o que querem amanhã de manhã.

1 comentários em “Amor ou carência.”

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