Foto: Carolina Pimentel
Na estante

A Paciente Silenciosa, por Alex Michaelides

«Há tanta dor em todos os lugares, e nós apenas fechamos nossos olhos para isso. A verdade é que todos estamos com medo. Estamos aterrorizados um com o outro.»

Assim que vi este livro, fiquei a divagar se era uma boa compra ou não. Até à leitura do mesmo, não tinha lido nenhuma review, nem pesquisado muito sobre a história. Decidi arriscar, quando houve a Black Friday da Wook e de facto, não me arrependi. A Paciente Silenciosa é um thriller psicológico. O primeiro que leio e achei fascinante! Li-o em pouco mais de uma semana e entrou para a lista dos meus favoritos desde ano.

 

Theo Faber de quarenta e dois anos, é um psicoterapeuta fascinado pela história por trás do silêncio de Alicia Berenson. Candidata-se à clínica da Grove e muda-se com a mulher, Kathy para Londres. Disposto a descobrir o motivo de Alicia ter assassinado o marido, Gabriel, com vários tiros no rosto, vai pesquisar e ser quase um detetive. Irá confrontar os amigos da pintora britânica, os familiares e até o médico particular que a examinou e medicou, antes do homicídio. Enquanto tenta arrancar algo à paciente que se mantém em silêncio, também luta com um problema no seu casamento. Escondendo o trauma que teve em criança, o rancor pelo pai e o não saber estar sozinho – porque não quer sentir-se um inútil e falhado, como o pai lhe dizia –, tenta chegar ao fim da questão, com o caso de Alicia. Seria capaz de tratar de Alicia, depois de outros tantos falharem? Estaria preparado para ouvir a verdade?

«Tenho quarenta e dois anos. E me tornei psicoterapeuta porque estava fodido. Essa é a verdade – embora não tenha sido o que eu disse durante a entrevista quando a questão foi colocada para mim.»

Alicia, por sua vez, de 39 anos, ao que indicava era bem disposta, uma pintora cujas obras deslumbravam imensas pessoas, sem filhos e com uma má relação com os pais. Criada pela tia, com a qual nunca se deu, começou a pintar e desde então nunca mais parou. Depois de uma tentativa de suicídio, após a morte de seu pai, as suas reações mudam e começa a ser medicada. Após o assassinato do marido, tornou-se muito agressiva e mantém-se em silêncio.

A história é quase mitológica, visto que Alicia se inspira em Alceste – dando o mesmo nome a um dos seus quadros – e a própria história é parecida à sua. A figura de Alicia é sempre muito intrigante, misteriosa e um tanto assustadora. É fria, não demonstra os seus sentimentos e permanece sempre com uma expressão impenetrável e indecifrável.

«Alceste (…) chega-se à frente e oferece-se para morrer em vez do marido. Talvez não esteja à espera de que Admeto aceite a oferta – mas ele fá-lo e Alceste morre. Alceste regressa da morte, novamente viva. E permanece calada – incapaz de falar ou recusando-se a falar sobre a sua experiência.»

A pintora no seu diário demonstrava uma certa preocupação em se era louca como a sua mãe. Demonstrava ter medo de si, da possibilidade de ter a loucura da mãe no sangue. Descreve também o medo de estar em casa sozinha, quando começa a ser vigiada, e a incompreensão do marido. Gabriel nunca acreditou que de facto, a sua casa estava a ser vigiada e que a mulher não estava a imaginar coisas.

A obra está dividida em 5 partes, estando em algumas das mesmas, passagens do diário de Alicia. Através do diário e das perguntas que Theo irá fazer aos seus familiares e amigos, começamos a suspeitar que afinal pode não ter sido a esposa a matar o Gabriel. Afinal, quem tinha sido, se não tinha sido ela?

«Eu não matei o Gabriel. Ele é que me matou a mim. Eu apenas premi o gatilho.»

A escrita e o desenvolvimento da história cativa-nos e só queremos devorar o livro e descobrir o motivo. Achei incrível as menções da mitologia grega e como o desfecho é completamente diferente do que alguma vez pensamos. Foi fascinante! Uma leitura que super vale a pena, para quem gosta de thrillers psicológicos.

«Os olhos dela estavam arregalados de medo. Olhámos um para o outro, em silêncio. Foi a primeira vez em que estive frente a frente com Alice Berenson. O resto, como costuma dizer-se, já toda a gente sabe.»

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