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Cada dia com ansiedade

Perdi-me umas quantas vezes essa semana. Sinto-me a quebrar e a desfalecer, como se estivesse a apodrecer. A dor não para de crescer e só me sinto a adoecer. Parece que nada do que possa fazer, conseguirá tirar-me este peso e este sufoco do meu ser.

As noites tornam-se longas demais para aguentar. Tento e fracasso. Choro outra vez. E mais uma e outra vez. As mãos tremem-me, o coração fica cada vez mais apertado, contraio-me na cama, afago a boca e os gritos que deixo escapar e deixo que a tortura acabe, quando o ataque de pânico se cansar. Amanhã certamente voltará.

Fica difícil caminhar, sorrir para os demais, fingir estar tudo bem, quando me sinto uma inútil, insuficiente e uma incrível grande merda. Não tem como não ser. Tudo parece desaparecer, menos a dor. Essa sempre fica. Vai aumentando gradualmente, tirando todos os dias, um pouco da minha sanidade e da minha felicidade.

O meu lado sombrio vai dando sinais que quer aparecer. Este que tanto lutei para ficar adormecido, quer agora apoderar-se de mim, para todo o sempre. Já não consigo contê-lo por muito mais tempo. Sei que fará de tudo para vir ao de cima, mostrar-me o quanto fui fraca e inútil. Afinal, ele nunca desapareceu por completo. Houve sempre uma parte de mim que chamava por si, a cada anoitecer e amanhecer. A verdade cruel finalmente desvendada, demonstra que sou uma farsa.

O tempo em que estive “curada” foi demasiado pequeno para conseguir recompor-me de jeito. Um tombo tão forte fez-me estremecer e deixar cair tudo. 

As lágrimas caem-me, dói-me o corpo, não consigo dormir e cada dia com ansiedade se torna mais e mais insuportável. Só queria não sentir tudo isto, uma vez mais, na vida. Parece que não tem como parar esta tortura dentro de mim, que perdura enquanto lhe apetecer. Ou tiver de ser.

Questiono-me o que terá de acontecer para que finalmente pare de me fazer sofrer. Estou cansada destes jogos mentais, deste cansaço que me consome a alma e o que mais tenho de bonito. Cansada de ter de fingir sorrisos, demonstrar empatia e de até continuar a fazer alguém que nem amo, feliz. Estou cansada. É um direito meu, ainda que não pare de crescer o que cá dentro mais estrago faz. Não faz mal. Sabia que teria de ser. Um dia ou outro isto viria atormentar-me. Só não sabia que não estaria tão bem preparada para o receber. Afinal, continuo a fraca que sempre fui. E não o deixarei de ser, pois já estou a endoidecer.

19.07.04

1 comentários em “Cada dia com ansiedade”

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