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Textos

Do teu ombro, amigo.

As amizades têm prazo de validade. Mas daqueles que devemos levar muito a sério, pois se forçarmos podemos acabar por enjoar.

Na realidade tudo tem o seu tempo, mas por vezes achamos que nas amizades isso é impossível. Aquele cliché básico que namoros acabam mas amizades não, é tudo balela. As amizades terminam, assim com o tempo, bem devagar que por vezes nem nos apercebemos. Não precisa de motivo, nem de ponto final apenas deixamos de escrever naquele caderno e começamos um novo porque aquele perdeu o sentido.

As pessoas seguem caminhos diferentes, as linhas nem sempre são paralelas e nem todos andamos sempre lado a lado. Acaba por acontecer fazermos de outro lugar morada, de outra pessoa ombro amigo porque a vida dita as circunstâncias assim.

Mas a pessoa não perde o seu lugar, nunca. Nunca podemos dizer que nos deixou de falar, porque não foi por querer na maioria das vezes. Há peças do puzzle que se mudarmos a posição já não encaixam daquele modo. Deixa-nos a saudade e os traços no nosso ser para nunca esquecermos quem nos mudou. E esquecemos o nome, a morada, a situação atual mas nunca esquecemos que no nosso sorriso temos uma compilação das melhores pessoas da nossa vida. De uma chamada por ano, deixamos de ligar porque hoje tenho um relatório para entregar e amanhã os miúdos já estão crescidos e exigem muito de mim.

É preciso saber largar a corda antes dela arrebentar, porque uma corda cheia de nós um dia deixa de ser corda mas ser um emaranhado de nós que já nem nos lembramos como tudo começou. Deixamos para canto e esquecemos.

Mas eu não me quero esquecer da essência do meu eu. Não sei para onde vou, mas sei que o meu lugar não é mais aqui no teu ombro, amigo.

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