Sente-me enquanto não desapareço. Afinal, largaste-me assim que me viste, não te custará nada agora, não é? É só fingires que estou ok... Foto: Pinterest
Textos

Sente-me…

Sente-me enquanto não desapareço. Sente cada osso coberto de pele fina, cada respiração fraca, cada batimento falhado. Sente-me caindo – porque realmente, estou caindo em queda livre.

Não digas que fui fraca. Se tiveres de dizer algo sobre mim, diz que fui egoísta, porque quis acabar com a minha dor e deixar a mesma nos ombros dos outros – dos que verdadeiramente, sempre se importaram.

Será que nunca te apercebeste do quão farta estava? Do quão cansada aparentava e estava? Será que alguma vez te passou pela cabeça, perguntar-me se eu estava bem? Se precisava de ajuda? Para ti, eu estava sempre ok. Não importava se chorava, sorria, vivia ou morria. Para ti era igual. Não passava de uma conhecida, enlouquecida com o amor que sentia por um rapaz hipócrita, que simplesmente a ignorava.

Acima de tudo, a minha partida foi uma opção. Minha única e exclusiva opção. A opção que escolhi, que fazia sentido para mim. Foi por falta de apoio, sim! Foi por falta de amor, de preocupação, de amizade, de carinho, de tudo! Mas a culpa, não foi de todo tua ou vossa. Foi apenas minha. Como disse, a decisão de partir foi única e exclusivamente minha. Boa ou má, ela foi concretizada. Condenei-me, assim que te vi entrar no bar onde trabalhava. Sempre soube que serias a minha destruição, que roubarias a pouca sanidade mental que ainda usufruía. Sempre soube e atirei-me de cabeça no abismo.

A culpa é minha (não que isso faça muita diferença agora). Não por ser fraca, mas por não ser forte o suficiente, por desistir tão prontamente, quando tudo em mim se torna em ruínas irreparáveis. Não te culpes, nem deixes ninguém culpar-se. Descansei por fim, no abismo que outrora escolhi. Fui eu, que assinei minha sentença e mandei imprimir com orgulho. Assisti dia após dia, a minha destruição e nenhuma vez pensei que pudesse dar a volta por cima. Eu desisti de viver, mas acima de tudo, desisti de mim. Desisti de vocês também. Perdoem-me, mas o cansaço se tornou insuportável, a dor acumulada se tornou sufocante e diariamente, andar e viver doía demais.

Vá, agora despede-te deste corpo frio. Já me sentiste. Já podes largar. Afinal, largaste-me assim que me viste, não te custará nada agora, não é? É só fingires que estou ok…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *