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Reflexão

E se a vida acabar?

Amanhã pode já não ser realidade. Há uma esperança infinita de que daqui a um ano consigamos estar mais crescidos, interiormente e exteriormente, um pouco envelhecidos, mais sábios. Temos a esperança de estarmos cá para assistir tudo, para viver. E se a vida acabar?

Andamos desenfreados por aí, tentando encontrar alguém para caminhar ao nosso lado. Enchemos-nos de esperanças, ilusões e expectativas. Permanecemos iludidos, cheios de cicatrizes, com tanta vontade de fechar o coração, mas com tanto amor por distribuir. Continuamos a insistir que precisamos de amor para viver, quando nem nos amamos. A busca do amor próprio não acaba, porém amanhã damos a volta. A partir de amanhã ou do próximo ano, vamos fazer aquela dieta e ter amor próprio. E se a vida acabar?

Vamos desperdiçando momentos com a família estando permanentemente com um telemóvel na mão. Vamos a festivais para filmar e não para dançar. Marcamos encontros e nos desencontramos após eles. Não duram muito. As expectativas são altas e as pessoas não são assim tantas. Precisaríamos de muitas para podermos atingir o que esperamos. Não damos valor à vida dos nossos pais ou irmãos, vamos dando por garantido as suas estadias. Vamos adiando os abraços, os “amo-te muito”, os afetos que devem ser dados diariamente. Amanhã dou, amanhã demonstro, amanhã eles ainda vão cá estar. E se a vida acabar?

Se a vida acabar o amor pode nem ter chegado, os momentos podem nem ter sido vividos. Se a vida acabar amanhã, hoje fizeste o que gostavas de ter feito? Disseste que amavas os teus pais/irmãos? Disseste a um amigo o quanto ele é importante? Será que viveste o hoje assim tão bem? Se o tivesses vivido, não estarias passando tudo para o dia que nem sabes se irás pertencer.

Vamos sempre adiando, pensando no futuro. No futuro será melhor, não irá doer tanto. De um momento para o outro, a realidade pode mudar. Um acidente, uma doença inesperada, um ataque cardíaco. Morres satisfeito com a tua passagem pela terra? E eu digo-te, afincadamente, que não. Que ficou tanto por dizer e fazer. Podias fazer agora. Podias ter feito. E porque não fazes? Está na altura de o fazeres.

Não esperes o incerto. Concentra-te na certeza que tens agora: estás vivo. Agradece, demonstra sentimentos, faz as pessoas perceber que te importas, que gostas delas. Fá-lo agora ou não o faças nunca mais. Afinal, podemos nem estar cá depois de hoje, para escrever ou dizer o que poderíamos ter feito quando podíamos.

E se a vida acabar? Deixarei tanto por dizer/fazer.

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