Foto: Pham Khoai / Pexels
Textos

A dor se alastra como uma doença

Estou completamente fora de rumo, indo por caminhos obscuros e desconhecidos. Não sei mais o que procuro, o que me poderá fazer querer viver de novo. Sei que jamais conseguirei livrar-me desta dor que aumenta, dia após dia, sem nunca sossegar.

Quero desligar! Quero simplesmente parar de sentir tudo isto. Sinto-te tão cá dentro e é sufocante. Não consigo deixar de sentir raiva ou tristeza. É tão caricato ter ciúmes de alguém que nem é nosso, nem tão pouco gosta de nós.

Eu achava que gostava de sofrer. Sentir dor dava-me um prazer incalculável. Era bom sentir o sangue escorrendo pelos meus braços e pernas, era demasiado prazeroso sentir tudo cá dentro a ruir, tudo a sangrar, de tanto que doía. E eu me divertia. Contudo, entendi que não sou tão maquiavélica quanto pensava. Descobri que tenho limites de dor. Estes atingiram contigo.

Não sei como mas consegues sempre atingir-me com todas as tuas palavras. Tudo o que me contas rapidamente se torna numa arma pronta a disparar. Adivinha só quem prime o gatilho? Eu mesma.

É doentio da minha parte querer sempre mais e mais. Tenho mais dor, mais sangue nas minhas mãos. Não te tenho, não tenho aquilo que alguma vez sonhei ter. Não importa quantos sonhos tenha, quantos conselhos te dê, quantas vezes seja a amiga que esperas que eu seja. Não será igual. Não é como ter-te do meu lado. E dói porra! Como dói!

Não sabes o quão sufocante é te trancares no quarto, agarrares nas almofadas fortemente e abafar os teus gritos. As lágrimas correndo, o coração palpitando rápido de mais, a tensão subindo, a raiva crescendo, a dor se alastrando como uma doença que com a fraqueza cresce mais.

Tornaste-me fraca. Desde quando isto não é suportável? Até agora sempre o foi. Porque agora chegas tu e mostras-me o contrário? Como fui capaz de te dar permissão para me destruíres? Como pude alinhar em conhecer-te e deixar-me conhecer por ti? Como fui capaz de assinar a minha própria sentença de sorriso no rosto?

Afinal, foi esse o problema. Confiar demasiado em ti, em tudo o que dizias. Tudo conta. Só eu não vi o que eras mais cedo. Agora que vejo, receio ser tarde para mudar o destino. A rota está definida, o desfecho já foi previsto. Resta-me desfrutar da viagem do meu desaparecimento. Ao fim de contas, sempre fui um peão nas tuas mãos. Não seria diferente agora.

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