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Textos

Coração cheio.

Não perdi mais tempo. Agarrei nas minhas coisas e fui ser feliz. Carregada de medos, amarguras, inseguranças e pesos que não eram meus sobre as minhas costas, fui deixando tudo a cada passa que dava. Percorri todas as minhas moradas, porque quando alguém é de pessoas, não tem rua, tem um mundo inteiro.

Não confiei mais na vida e temi a morte da melhor maneira. Espalhei os medos e os meus anseios. Deixei-me ir. Bati à porta, cantei para todos e disse a cada uma das pessoas que se amanhã for tarde hoje tenho a certeza que ficou tudo dito. Engraçado, a menina que nunca diz nada a ninguém do que sente. Que não abraça nem se senta para falar de si. Gosto de ti. Tão simples, tão fácil e das expressões mais minadas e deixadas para o dia seguinte.

Enchi o peito de coragem. Deixei os sentimentos à flor da pele e não tive medo de levar com a porta na cara, de deixar ir, de perder. Ouvi dizer um dia que às vezes “é preciso perder para depois se ganhar”. E depois de tantas batalhas perdidas outras tantas nem tentei. Por medo, por feridas que não soube curar, por perdas que nunca soube ultrapassar. Pesa tanto o peso que pomos sobre as nossas próprias costas, aquele que não nos permitimos descansar porque achamos que já faz parte de nós. Mas não faz, não para sempre.

É preciso nos permitirmos. Aceitarmos que tantas vezes não é para ser, nem naquele momento nem com aquela pessoa. Podemos esfolar o corpo todo mas não há dor nenhuma que ultrapassasse o que não é para ser. Ser humano é chorar, sofrer metade do dia e rir anos mais tarde do que já passou. Não ter medo é impossível, porque até quando não queremos ter medo temos medo de o ter. Como ser preciso lembrar para se esquecer. Como queimar para saber que o lume queima. E quantas vezes meteste a mão no fogo, mesmo já sabendo que queima. Há dores que não se aprendem, que precisam de ser constantemente lembradas que doem.

Por isso, larga tudo, respira fundo e segue em frente. Pois, de coração cheio, andamos mais leves.

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