Foto: Joyce Huis / Unsplash
Textos

Recuso-me.

Recuso-me a acreditar que pode haver um fim, que posso vir a perder-te. Não é que façamos para que isso aconteça, porém pensamentos como esses invadem as nossas cabeças, vezes sem conta.

Este amor pode não nos sustentar para sempre, mas por enquanto, é isso que ele faz. Nos sustenta. Nos faz ficar mais fortes. Nos dá motivos, todos os dias, para sorrir. Dizem que por vezes, dependemos muito do amor para viver. Quis um dia afirmar que era tudo treta. Não é. Quando passamos por amores intensos (tal como o nosso), passamos a ter uma opinião diferente. Até eu, que era cética quanto a isto, acredito agora no que diziam.

Um dia sem ti torna-se enfadonho. É suportável, mas não agradável. Se não te ouço pela manhã irrito-me com facilidade com todos. Chego a pensar que és o motivo pelo qual o meu humor melhora de dia para dia. E és. Atualmente, és e contribuis para que seja uma pessoa melhor. Contudo, isso limita-nos e dá-nos um medo tremendo só de pensar em término.

Cada vez que me sento ao teu lado, que estou contigo, aproveito ao máximo. Tens sempre múltiplas tentativas para tirarmos fotos e essas permissões foram sempre recusadas. Tenho uma memória fotográfica. Há coisas que sempre irão ficar guardadas em mim e as melhores ficam e perduram. Aliás, nunca esgotam. É como reviver tudo na minha mente. E se fechar os olhos sinto as sensações que senti naquele exato momento. Não me perguntes como. Apenas sinto e sou dessa forma. Não preciso de fotografias quando te tenho, diariamente, pertinho. São segundos para tirar uma foto, mas prefiro aproveitá-los para observar-te. Não me quero esquecer da tua voz, do teu perfume, de cada sinal e cicatriz e de todas as marcas de guerra. Quero poder fechar os olhos e imaginar que estou a tocar-te.

Esta leveza que me proporcionas é gratificante. É indescritível. Tudo o que possa dizer, não bastará para a descrever. Quase que consigo teletransportar-me para outro lugar (como aqueles a que já fomos) e sentir, de novo, as sensações, como se fosse a primeira vez.

Questiono-me se todos dependem do amor e de alguém como nós. Não me importo que sejamos os únicos. Só dois completos malucos se apaixonariam num mundo onde não há amor verdadeiro. Só dois apaixonados vivem tão intensamente os momentos as dois, como os vivemos.

Somos um. Não quero desgrudar-me de ti. Recuso-me a isso. Quero-te sempre aqui. E que se lixe se dependemos assim tanto um do outro, a pontos de sermos o motivo da felicidade de ambos. Há coisas que não se explicam. Há coisas que só se sentem. Este amor foi feito para ser sentido desta forma, por isso vamos aproveitá-lo, feito doidos. Pois recuso-me mesmo a pensar que isto um dia pode terminar. Deixemos de pensar nisso. Apenas por agora. Há que fazer valer a pena, cada segundo. Recuso-me a pensar no pior, quando vivemos o melhor.

2 comentários em “Recuso-me.”

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