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Reflexão

Temos sempre a mania de deixar tudo para amanhã.

Nós temos sempre a mania de deixar tudo para amanhã. Amanhã trato disso, amanhã cuido daquilo, amanhã isto não vai doer mais, amanhã isto cura, amanhã irei cuidar da minha mente. E o amanhã não chega. Se chega, nada é resolvido. É como varrer os problemas para baixo do tapete e esperar que, milagrosamente, eles se resolvam sozinhos e sumam dali. Eles não vão ir embora, muito menos irão ser resolvidos. E vamos adiando, adiando e adiando.

Com tanto adiamento, vamos-nos esquecendo de viver e não apenas existir. Existir para trabalhar, para ganhar dinheiro, para pagar dívidas. Existir para apenas estar lá cuidando de todos e ninguém cuidando de nós. Todos querem ser ajudados, mas ninguém quer ajudar. Quão irónico, não é? Mas é a nossa geração. A geração do parecer uma coisa e ser outra. A geração da hipocrisia, da falsidade.

Dizemos sempre que estamos bem, que a vida vai indo, que estamos melhorando, que somos felizes. Grande porcaria! Grande porcaria que fazemos! Quem olhar no fundo dos nossos olhos perceberá que a dor não terminou, que deixamos os problemas acumular e que não aguentamos mais, mas seguimos. Seguimos cuidando dos outros, ajudando em tudo e esquecemos-nos de nós mesmos. Quem nos ajudará depois? Ninguém. Só nós mesmos temos esse poder. O poder de cura, de regenerar após as feridas, de cicatrizar o que mais nos fere, de nos transformar, de deixar as mágoas para trás e perdoar.

Muitas vezes, o que não nos faz ir para a frente é não largar o passado. Vivemos o presente pensando no passado. É como se estivéssemos recapitulando a mesma coisa todas as vezes, diariamente. Isso esgota a mente e acaba por nos esgotar fisicamente também. Vamos deixando que as mágoas do passado se acumulem e não conseguimos seguir em frente. Se fôssemos capazes de perdoar o que/quem mais nos feriu, seguiríamos em frente e viveríamos o presente como ele tem de ser vivido. Sem pensar no que aconteceu antes, que por não ter dado certo nunca vai dar certo.

Nos privamos de tantas coisas com medo dos erros do passado. E então? Se são erros, irão cometê-los? Não. Então para quê o medo? Porque não avançar? Porque não deixar tudo o que nos magoou para trás e perdoar-nos também por tudo isso?

Quem muitas vezes não se permite seguir somos nós. Se estivéssemos mais empenhados em curar-nos em vez de cuidarmos de quem não cuida de nós, estaríamos curados e felizes. Os outros são prioridade, quando deveríamos ser a nossa própria prioridade. Quando formos capazes de entender isso, a nossa vida certamente melhorará.

Será que estamos dispostos a tentar? A tentar por nós em vez de tentarmos pelos outros? Isso apenas saberás se deixares para trás o que te aflige e lutares como nunca. Deixemos de fingir. Deixemos de deixar para amanhã. Hoje é um belo dia para começar! Hoje é a única certeza que temos, por isso vamos aproveitá-la!

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