Foto: Carolina Pimentel
Na estante

Comer, Orar, Amar, de Elizabeth Gilbert

Nunca vi o filme, nem tinha tido o mínimo interesse pelo livro, quando o recebi de oferta. Já algumas bloggers que seguia, me haviam dito que era o “mais indicado para mim”, de acordo com a fase com que me deparava na altura. Depois, a Joana partilhou a sua review e questionei-lhe se valia mesmo a pena. Tendo em conta o resumo breve que me deu, fiquei entusiasmada e decidi colocar na lista, Comer, Orar, Amar.

Estava em arrumações, já sabem como é, acabam-se os estudos e só queremos deitar tralha fora e deparei-me com vários livros arrumados. Sabe-se lá há quanto tempo! Por sorte ou por destino – pois acredito agora que precisava mesmo de o ler –, estava este livro numa das caixas esquecidas.


“As pessoas pensam que uma alma gémea é o par perfeito e é isso que toda a gente quer. Mas uma verdadeira alma gémea é um espelho, uma pessoa que te mostra tudo aquilo que te retém, a pessoa que faz com que te centres em ti mesma para que possas mudar a tua vida. Uma verdadeira alma gémea é provavelmente a pessoa mais importante que alguma vez conhecerás porque deita abaixo as tuas defesas e desperta a tua consciência. Mas viver com uma alma gémea para sempre? Não. É demasiado doloroso. As almas gémeas entram na nossa vida para nos revelarem uma outra camada de nós mesmos e depois vão-se embora.”


Fui adiando a sua leitura. Demorei meses para folheá-lo. Acho que teve de ser na altura certa. Comigo, muitas vezes, funciona assim. E há livros que só conseguimos apreciá-los com mais maturidade, com uma perspectiva diferente e de mente aberta. Neste caso, isto refletiu-se claramente. Comecei em julho a lê-lo e aborreci-me a 98 páginas do começo.

Em dezembro, numa das minhas piores fases, voltei a encará-lo e debati-me seriamente, se o deveria ler. E não é que em uma semana o terminei? Devorei-o até ao fim e não me arrependo.

Comer, Orar, Amar, é daqueles livros que precisámos estar na mesma (ou parecida) situação para nos fazer todo o sentido. É daqueles livros que têm de ser lidos no tempo certo, para que tenha algum significado e nos faça pensar um bocadinho.

A primeira parte do livro, desenrola-se em Itália, onde Elizabeth irá desfrutar de todas as maravilhas gastronómicas e aprender italiano. Foi das partes que menos gostei e demorei a ler por isso mesmo. Parecia que as páginas giravam-se à volta de pizzas, massas e gelados.

A segunda parte foi a que mais gostei e passou-se num ashram na Índia, onde Liz tentou a todo o custo encontrar-se e conectar-se com Deus. A dedicação da autora passará a estar totalmente na meditação e no Yoga, num ritmo de vida envolvente.

Para quem ainda não se aventurou neste “mundo” de meditação e busca interior da paz, conexão e serenidade, certamente as descrições das meditações serão um tanto enfadonhas. Contudo, acredito que as conseguiu descrever na sua plenitude.

Por fim, na sua última viagem em busca de si mesma e de paz, volta ao curandeiro que há 4 anos lhe tinha dito que passaria 4 meses na Indonésia, com ele. Não só isso fez, como também, encontrou o amor (um brasileiro, também com o coração partido depois de um divórcio e a viver há alguns anos em Bali).


“A felicidade é a consequência do esforço pessoal. Lutamos por ela, procuramo-la arduamente, insistimos nela e às vezes até viajamos pelo mundo fora à sua procura. Temos de participar infatigavelmente nas manifestações das nossas próprias bênçãos. E quando atingimos um estado de felicidade, nunca devemos descurar a sua manutenção, temos de fazer um esforço supremo para continuar a nadar eternamente na sua direcção, para ficarmos a flutuar sobre ela. Se não o fizermos, o nosso contentamento inato ir-se-á esvaindo. É fácil rezar quando estamos aflitos, mas continuar a rezar mesmo depois da crise ter passado é como um processo de confirmação que ajuda a nossa alma a agarrar-se firmemente aos seus feitos.”


A escrita fluí muito bem. Comer, Orar, Amar é daquelas leituras boas para descontrair, ajudar a organizar pensamentos e mudar algumas atitudes. É sem dúvida alguma, um bom livro para quem está tentando mudar alguma coisa na sua vida atual ou esta numa má fase.

Já leram o livro ou assistiram a adaptação cinematográfica?

O bookmark mágico é da Joana Sem Jeito, pintado a café. Neste caso, este marcador pertenceu à primeira coleção Mandalas.

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