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Esperança

É preciso deixar ir. Largar, deixar voar para se quiser voltar vir com vontade própria para ficar. A amizade ou o amor não podem ser gaiolas, têm que ser mãos que largam e ensinam a voar. Se nunca mais voltar é porque não era o destino.

Vais chorar, cair, pensar que o mundo acabou de vez e que é inverno para sempre. Vais ver o fim e jamais o início desse fim. Mal tu sabes que esse fim é só um recomeço, que portas fechadas nos permitem abrir janelas com outras entradas de luz. Que mesmo com a porta do teu coração fechada quem quiser ficar até pela janela entra se assim quiser. Mesmo que corra o risco de cair, de esfolar os joelhos e ser renegado por ti de novo e de novo.

Porque tu às vezes só precisas de um colo, um silêncio, de uma mão que aperte e entrelace os dedos. No encaixe perfeito para te mostrar que ainda existe a perfeição. E é o silêncio que sussurra as palavras mais bonitas. É o colo que te suporta as lágrimas e nessa mão que vais seguir em frente.

E essa mesma mão que vais ter que soltar quando já não for para ficar. Quando te puxar numa direção oposta ou marcar esse teu passo cambaleado que tu tanto tens. Deixa ir, às vezes pode fazer voltar ou não. A saudade é o filtro perfeito de quem volta porque quer voltar e de quem não volta mais. Aceita que existem pessoas que apenas estão de passagem.

Mas é preciso deixar ir, mesmo que demore tempo até a última lágrima cair. Porque falta a último morrer.

Esperança.

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