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Reflexão

Perdidos no tempo.

Às vezes, sentimos-nos perdidos. Perdidos no mundo, no lugar, no tempo, nas conversas entre amigos, no grupo de amizade. Às vezes, sentimos que não pertencemos a lugar nenhum. Não sentimos que temos lar, um abraço-casa, um sorriso que nos lembre que pertencemos a alguém — nem sempre, temos esse alguém a quem (re)correr.

Sentimos-nos tão fora do nosso ambiente. Sair da bolha do conforto assusta. Sentimos tudo e nada ao mesmo tempo, mas crescer é isto e temos de aceitar que assim o é. Sem questionamentos, sem reclamações. Só temos de aceitar. Aceitar, por vezes, basta.

Só que aceitar nem sempre é possível, nem sempre é fácil de engolir e esquecer. Por ventura, iremos precisar de mudarmos-nos, para outro lugar, por nós próprios, para outra casa. Sair do local que não nos faz feliz é um passo importante, mas assusta. Assusta porque já nos acostumamos aos locais de sempre, aos rostos familiares, aos sorrisos fracos e falsos, às conversas deslocadas e sem sentido.

Aceitamos que nada merecemos e que devemos contentar-nos com isso. Mudar faz bem. Mudar faz bem e dói. Dói, porém irá passar. Mais vale que doa ao tomarmos uma decisão certa, do que doa sempre por permanecermos no erro. Crescer é isto. É arriscar, mudar, procurar-se, encontrar-se, esquecer-se, perder-se, reencontrar-se de novo. E de novo, e de novo. As vezes que forem necessárias para aprendermos. Na base do erro é que iremos aprender. Na base da dor. Dói porque estamos a curar-nos, senão nem doía.

Estar no mesmo lugar pode ser bom, quando se gosta do meio ambiente, quando todos são (ou tentam ser) o que somos para eles. Com abraços-casa, com reencontros bons, com amizades verdadeiras, com sensação de casa/lar. Sem isso, estamos no sítio errado, desperdiçando tempo e forças. Sofrendo muito por coisas erradas e por nossa única culpa.

Por isso, se te sentes perdida/o e não te encontras, procura-te noutro lugar. Talvez jamais te irás reencontrar nesse sítio, nessas pessoas, nesses abraços vazios. Sabes que mereces mais, sabes que podes ter mais, então vai em busca desse mais. Jamais te contentes com menos do que mereces. Jamais fiques na bolha de conforto que criaste por medo da dor. Doerá sempre. Agora, poderás escolher o motivo dessa dor: se a cura ou se o permanecer onde nada se altera, nada se cura e tudo se mantém. A escolha é sempre nossa/tua.

Vai viver a vida e deixa de apenas existir — que é o que fazes nesse lugar. De que estás à espera?

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