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Reflexão

De madrugada, os sonhos morrem.

De madrugada, os sonhos morrem, porque os sonos são inexistentes. Os sonhos morrem, cada vez que não nos permitimos adormecer e finalmente descansar. Até quando conseguiremos impedir-nos de sonhar? De dormir e sossegar?

A minha alma ansiosa pede por descanso, mas a insónia persiste em me perseguir e raptar para si. A insónia é como uma pessoa que nos abraça e aprisiona, sem nos deixar fugir ou sair do casulo. Não nos permite ir em busca de outro lugar, de olhos famintos e vermelhos, por descansar. Não nos deixa ir em busca de terras desconhecidas, nos sonhos que ainda aguardamos para ver.

A insónia abraça-me todas as noites, dizendo-me que não me pode deixar ir. É como um relacionamento abusivo e estou cansada, mas não posso fazer nada.

Tento dormir com comprimidos e descubro que, na manhã seguida, não consigo dar um passo firme. São fortes demais para o meu corpo pequeno e frágil. Comprometo-me a não os engolir mais, porém que mais poderei fazer? Não há nada que me faça adormecer!

Os pensamentos martelam na minha mente cansada, como se quisessem apoderar-se de mim. Jamais consegui lembrar-me de como era antes disto tudo começar. Antes dos pesadelos deixarem de existir, antes dos sonhos serem impossíveis de serem conseguidos. Já não me lembro de como era sorrir ou gargalhar. Já não sei o que é viver em função de mim própria e ter coragem para conhecer alguém e sair.

Ando presa no meu próprio mundo, triste e isolado, sem sol e sem sonhos. Jamais devo ter pensado que isso se tornaria realidade, algum dia. Somos tão ingénuos que não sabemos o porquê de existir determinadas coisas.

De madrugada, tudo volta. Me assombra, não me deixa. Faz-me reviver tudo, uma e outra vez. Outra vez, tudo mais uma vez. Quando deixará de ser tão torturante estar aprisionada na própria consciência?! A consciência de que dias maus acontecem sempre tive, mas não sabia que poderiam durar mais do que um mês. Há anos que me torturo e não sei viver por querer. Vivo porque tem de ser. Existo, não vivo. Há meses que já não sei o que é viver de verdade. Talvez até nunca soube e venha a sabê-lo depois de isto terminar ou melhorar. Será que vai? A quem quero enganar? Já perdi as esperanças sobre esse dia de libertação.

Finalmente, amanhece. Está na altura de sair, sem uma hora de sono. É aí que a insónia deixa de abraçar-me e deixa-me ir embora. Estou livre da insónia, mas continuo no inferno.

Por toda a noite sou sua e de manhã sou expelida para o mundo real, onde também, os sonhos não vivem. Na realidade, os sonhos realizam-se, de uma maneira ou de outra, com mais ou menos custo. Os meus nem chegam a ser pensados, quanto mais realizados.

De madrugada, os sonhos morrem e nós morremos mais um bocadinho.Talvez eu ainda esteja viva no sonho de alguém, mas não nos meus.

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