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Reflexão

Dias e dias.

Dias e dias de distância, de medo do desconhecido, de ter pavor a sair à tua, de lidar com as saudades crescentes da falta de um abraço ou da nossa pessoa-casa. Dias e dias que se prolongam com o mesmo começo e fim, com as mesmas tarefas, nem sempre com o mesmo entusiasmo ou vontade.

Há muito que deixamos as televisões ligadas, mas que as desligamos durante as notícias. Há o inevitável a decorrer. Algo inadiável. Tudo parece acontecer e na nossa bolha pensamos que estamos a salvo. Por quanto tempo? Quanto tempo nos resta? Quando iremos poder voltar a ter a mesma segurança que antes tínhamos ao andarmos pela rua? Ao abraçarmos as pessoas?

Muitos pensam que após o isolamento todos iremos poder desfrutar de um bom dia de praia, como em tantos outros anos, de corrermos para as lojas e recomeçarmos onde paramos. Não será assim. O medo será absurdo, as regras irão multiplicar-se e serão mudadas constantemente. A todo o momento iremos ter pânico. Os ataques de pânico poderão ser constantes. A ansiedade poderá aumentar. O nosso batimento cardíaco estará sempre mais acelerado. Nada será como antes e essa realidade assusta. Assusta-nos de morte.

Teremos de adaptar-nos a este novo estado de convivência, a usar proteções, a termos cuidados redobrados com a nossa saúde e com a dos outros. Lutamos todos pela mesma causa, uns estando na linha da frente, outros estando em casa. Ninguém está melhor. Estamos todos no mesmo barco tentando não cair e afundar-nos, só que não existem coletes salva-vidas suficientes. Alguém terá de cair, alguém terá de ficar. Quem será? Poderá ser da nossa família?

O nosso futuro é uma incógnita e os dias já foram mais bonitos. Quando irão voltar a sê-los? Talvez no próximo ano ou então só após dois anos após-pandemia. Tudo se encontra em suspenso, até mesmo os nosso planos.

Entretanto, vamos tentando manter-nos calmos e dentro do barco. Resistimos. Tentamos cuidar-nos e mas não ficará tudo bem. Nada será como antes, mas poderemos ir à rua e ir abraçar as nossas pessoas (se é que vamos ter coragem para fazê-lo).

Amanhã não sabemos, mas hoje é mais um dia em que poucos foram os espaços que visitamos e poucos foram os passos dados, nas mesmas divisões. Não vai ficar tudo bem. Esta é a nossa realidade e muita coisa terá de ser mudada.

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