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Mundo em pausa.

Às vezes só precisamos de pausa. E é em pausa que as coisas desaceleram a seu tempo, nos permitimos relembrar que respiramos e que o tempo corre-nos por entre os dedos e nós nem nos apercebemos. Deixa-mos sempre para amanhã o que dizemos não ter tempo para viver hoje. Adiamos abraços e dá-mos tudo por garantido. Vivemos com falta do que ainda não vivemos, e porquê?

Porque nunca nos tinha faltado tempo nem oportunidade de ir viver. Acreditávamos mesmo que amanhã ainda íamos chegar a tempo de dizer bom dia, acompanhado de um beijo prolongado pelo corredor da faculdade. Que nunca iriamos para casa no dia seguinte e aquele seria o último abraço, o último diálogo cara a cara e nem tínhamos noção que isso era tão importante para nós. Quantas conversas perdemos entre redes sociais no momento errado? Entre fotografias que estagnavam os momentos e eu falo contra mim, adoro gravar os momento mais importantes. E hoje, até fico feliz por os ter porque me perco na galeria de fotografias durante horas à espera que a saudade abrande. Abrande como a vida teve que abrandar.

Porque o mundo não abrandou o passo, nós é que agora temos tempo para o sentir rodar em torno de si mesmo. Porque todos os dias havia sol, nós é que não tínhamos tempo para o ver. Lá espreitávamos da janela do autocarro. E até disso nos queixávamos, porque eram 7h e já estávamos a sair num metro apilhado de pessoas. Pessoas. Essas pessoas que sinto falta, em toque, em só ver do outro lado do corredor, da sala, da linha do metro. Pessoas que eu conheço e até daquelas que ainda não tive a oportunidade de conhecer.

Mas a pausa faz-nos ouvir o silêncio entre as músicas, a noite é a pausa onde refletimos sobre os dias. Entre o ontem e o amanhã existe precisamente este instante e o que somos mais que constelações de instantes? E mesmo que te continues a queixar te de tudo amanhã, quando voltares a ter que entrar no trabalho ou na escola às 8h, reclama mas sempre com a sensação de contente.

Bom dia para ti. Vamos, o sol está lá fora à nossa espera. Sim, porque haverá sempre um raio de sol para nos unir, a todos.

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