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Textos

Amores.

Não é por não amar ninguém, no sentido social da palavra, que eu não acredito no amor. Talvez agora até acredite mais um pouco do que quando dizia que amava muito. Continuo a acreditar que as pessoas o sentem e o vivem, que nos faz rir e chorar, nos leva aos melhores e piores momentos da nossa vida. Eu sei que ele anda aí em tudo o que mexe e até nas coisas estagnadas.

Eu só não acredito quando nos sobrepõe, e continuo a falar do amor social, esse famoso “estar apaixonado”. Procuramos tanto o amor e a uma dada altura até parece que todos namoram à nossa volta e é um empurrão da vida, como é óbvio. É a vida a dizer te que também precisas de arranjar um amor para te entreteres, nem que seja para chorar, para sentires alguma coisa. E todos os erros começam aqui.

Não é por não estarmos apaixonados que nãos sentimos nada, nem que não sentimos amor. Existem vários tipos de amor e eu só os quis conhecer melhor. O amor às coisas, às coisas que temos e quando perdemos sentimos falta, coisas físicas como o mar, a sala de aula, a mesa do café que tantas vezes reuniu pessoas. O amor aos afetos, ao abraço apertado, o beijo longo e o ombro, este sou completamente apaixonada. O amor às pequenas gigantes coisas da vida, como a liberdade de sonhar e ir viver, os passeios à beira mar, as idas com os amigos só por ir.

Por fim, vem o meu favorito e desconhecido: amor-próprio. Aprendi que tanto nos focamos numa coisa que esquecemos tudo o que está à volta, o além, e perdemos tantas oportunidades na vida. Assim perdemos o amor por nós e tantas vezes nos martirizamos por culpa do que pensamos nos outros. Porque não nos desvalorizamos, não porque o sentimos mas sim porque os outros não nos valorizaram como queríamos e reduzimo-nos aos poucos, vez a vez e não resta mais nada de nós para nós. Somos o resultado do que pensamos merecer e passamos a merecer o que nos dão, mesmo que seja quase nada já achamos o imenso, porque pensamos não ter nada. Ficamos tão focados em ter qualquer coisa dos outros, em ter uma relação, para ter outra pessoa, física e emocionalmente, em ter, que nos esquecemos do que já temos: valor. E acabamos por nos contentar com tão pouco e aceitamos.

O amor não se mendiga. Não é receber e ficar feliz porque cada um dá o que pode. Chamas te exigente, mas és só apaixonada por ti própria e não trocas a tua calmaria por uma noite de prazer, sabes que tens mais para dar. Trata-se de reciprocidade, dar tudo e esperar tudo, menos que tudo é nada, meramente um sol de inverno que aquece mas não faz uma lareira.

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