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Textos

Não espero nada mais.

A madrugada chegou e ela não sabia mais para que lado se virar. Pesava a saudade, o vazio e a dor de uma insónia (dizem as teorias médicas). As lágrimas não caíam e a coragem discutia com o medo. O ódio já batia no amor. Nada se compreendia e ela, apática, dentro do seu próprio escuro só assistia à confusão que se instalava na sua cabeça.

Ela sabia o que queria, o que sentia, onde queria ir. Mas a vontade de ficar presa à “não” vontade, mantinha-a sempre no mesmo lugar. Não era amor, era conformismo com as conversas diárias, o boa noite que não mudava nada, não a crescentava nada mas ainda assim quando falhava já era tudo. Era tudo do avesso e contra ela própria. Acreditava em meia noite e na outra chorava de desilusão.

Esperava de mais. Acreditava que todos dariam o que ela lhe dá, mesmo que não esperasse nada em troca, apenas pedia o mínimo. Mas o nosso mínimo pode ser o bastante noutra pessoa, ou até noutro dia. Hoje não estou para isso. Não estou para dar conselhos amorosos porque eu não quero, não posso porque não os tenho. Nem todos os dias somos as mesmas pessoas. O sol existe sempre mas nem todos os dias está no seu auge, no seu inteiro ser. Esperar de mais é o principio de um fim. É o primeiro passo para a desilusão, para entristecermos e perdermos a vontade de esperar mais.

Acabamos por nos culpar de sermos “ingénuos”, “burros” e “acreditarmos em toda a gente”. Sim, tens razão a culpa é toda nossa, porque nós esperamos de mais, esperamos o impossível, o que ninguém nos pode dar. As pessoas não são o nosso reflexo, são o nosso complemento. Elas não cabem à nossa frente, mas ao nosso lado. Por isso espera menos e te surpreende mais.

É no escuro que se descobre o melhor da noite, as estrelas que nunca vimos. E ainda assim tenho medo do escuro.

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