A última palavra. Foto: Pinterest
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A última palavra

Eu queria ter dito a última palavra. Talvez se tivesse murmurado um “amo-te” para reforçar-te ainda mais o que sinto por ti e que o demonstro em ações, tivesses ficado e dado uma oportunidade à nossa relação. Preferiste que terminasse assim. Com palavras entaladas na garganta, com uma infinidade de coisas por dizer na nossa cabeça e um choro desesperado.

Fechaste a porta com força. As malas que preparaste, levaste. Era o fim. Quando vi-te as costas apenas e nem para trás olhaste, senti que era a última vez em que te via, em que te tinha. Estava certa. Como sempre estava. Entraste na minha vida de repente e saíste dela de rompante. Sem explicações válidas, sem atos de indecisão ou nervosismo.

Sabias que eras o único capaz de me fazer fraquejar, aquele que conseguia pôr-me a rir em segundos com as tuas típicas piadas secas, de pôr-me a dormir com apenas uns alisamentos no cabelo, de acalmar-me com um abraço apertado, de satisfazer-me com uma pizza ainda que pré-cozinhada. Também eras o único capaz de manter-me assim. Foste aquele que deu-me a mão quando estava desequilibrada no abismo. Impediste-me de cair. Sempre te fui grata por isso e continuo a ser. Mas também sabias que eras o único capaz de destruir-me. Porque quem constrói, sabe destruir também.

Foi isso que me fizeste quando saíste daquela porta, sendo que a palavra que finalizou-nos foi um “adeus” pronunciado quase que em sussurro. Destruíste-me por dentro. E odeio-me. Odeio-me por não ter dito mais; por não ter-te parado na entrada para o elevador; por não ter sido suficiente para ficares.

Provavelmente, nem irias repensar na tua decisão. Sempre foste de ideias fixas. Pensando bem, iria estar a humilhar-me perante ti, implorando-te para ficares num sítio que preferiste ir embora. Porque quem quer ficar, fica. Quem ama, ama até mesmo na doença e nos maus momentos. As tuas desculpas, até hoje, nunca foram válidas para que tentasse compreender o teu lado.

O choro e a saudade de ti irá reinar nos próximos meses, mas irá cessar. E quando cessar, tu sabes, irei renascer mais forte, mais calculista, porque estou farta de quebrar a cara e a ti garanto-te: isto não se irá voltar a repetir. Foi a última vez.

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