Foto: Tom Rogers / Unsplash
Textos

Não foi destino.

Sinto-me diferente do que já fui, num barco à deriva em busca de um destino desconhecido. Deparo-me com tantos improváveis encontros, esqueço-me da maioria dos rostos e assim sigo, cada vez para mais longe de mim e de quem fui outrora.

As palavras foram com o vento e por aqui, só as ações ficaram, ainda manchadas em cada parede do meu ser, gravadas no meu coração já fraco. Por aqui tudo ficou destruído. Pensara antes que era intocável e indestrutível, quando bastou uma palavra para me ruir inteira aos pés de um falso amigo/amor. Bastaram palavras para quebrar toda a confiança, para me destruírem e mostrarem que neste mundo, temos de ser feitos de pedra. Neste mundo temos de ser bravos e exigentes ou irão tirar-nos o tapete, para poderem passar por cima de nós.

É necessário mais que coragem para enfrentar as duras palavras e as atitudes que marcam para sempre uma alma em ascensão. Mais do que coragem para continuar a levantar, dia após dia, batalha após batalha, queda após queda, sem medo de falhar e de cair, mais uma vez. Temos de ser destemidos, ferozes e por vezes, arrogantes. A força irá refazer-se uma e outra vez, após cada derrota.

Um dia quis lembrar-me do que me fez chegar até aqui, só que esqueci-me do mapa de regresso para casa. Deixei-o em algum lugar por aí, sozinho e longe de casa, de mim e das minhas mais belas memórias. Deixei-o. Abandonei-o e abandonei-me. Era intocável. Agora sou das mais marcadas pelas pessoas.

Não foi destino. Não foi a maré que me trouxe até aqui, mas sim os meus próprios pés, a minha própria vontade e é por isso que aprendemos com os nossos próprios erros e acertos, porque somos nós que trilhamos o nosso caminho e que o enfrentamos. Somos nós que caminhamos na direção escolhida, não o destino. Não foi o destino que me trouxe aqui, fui eu mesma. A única razão de ser assim e de estar aqui é unicamente minha. Ninguém me forçou a escrever a minha história, foi de livre vontade que agarrei na caneta e escrevi como nunca. E foi com a mesma vontade que sai e encarei o mundo. Com a mesma vontade que me levantei, depois de tropeçar. Este foi o destino que escolhi, mas não é o primeiro e não será o último.

Somos feitos de viagens, umas mais curtas e outras mais longas e em cada uma delas, aprendemos algo e levamos algo connosco. Nem sempre levamos as melhores memórias no peito, por vezes, só levamos marcas que demoram a cicatrizar, mas tudo isso faz parte do nosso percurso, daquilo que somos e do que iremos vir a ser.

Não me lembro do caminho para casa. Não tenho o mapa do próximo destino, mas guiar-me-ei pelo coração e sei que chegarei a algum lugar. Para ficar ou para voltar a partir? Só eu, poderei decidir, depois de lá chegar. Afinal, todos um dia temos de partir. Por enquanto, deixo-me ficar à deriva com a esperança de um novo dia, uma nova caminhada, uma nova aventura. O destino virá, na próxima onda.

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