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Reflexão

Silêncio absoluto.

Há coisas que por mais que queira, me sufocam. Sinto que jamais alguém as compreenderia e deixo-as afogarem-se dentro de mim. Há dias em que me sinto a enlouquecer com tanto que tenho para dizer. Silêncio. Silêncio absoluto. Porque nos custa falar, quando dói? Porque custa tanto simplesmente admitir que precisamos de ajuda?

Sinto-me ingrata por ser tão fraca, por necessitar desta ajuda constante. Quem aguentaria alguém que busca energia a todo o momento, sem nunca estar cheia, sem nunca se fartar? Pareço faminta, em todos os lugares, em todos os sentidos. Sinto-me a desmoronar e não sei como parar. Estarei louca? Ou será que todos, um dia nos questionamos sobre a nossa sanidade?

Silêncio. Há gritos que não se ouvem, palavras que não se dizem e tento, a todo o custo, mentalizar-me de que é assim que irei ficar para todo o sempre. E parece mesmo, uma eternidade sem fim, de dor e de amuos. De silêncio e mais silêncio. Ninguém percebe o silêncio, mas deveriam. Podem ser surdos, mas não são cegos. Ou estaremos todos, cada vez, mais cegos?

Estamos doentes e isentos de energias boas. Não somos convidativos. Estamos virando máquinas que simplesmente deixam o coração pulsar, na medida do possível, para que possamos estar vivos. Já não é feito para mais nada. Valha-nos a vida miserável que ainda temos. Deveria agradecer? Repulso. Repulso e repulso. Já não acredito. Nada me fará acreditar.

Sedam-nos com comprimidos da treta, para que possamos viver mais uns anitos, enquanto damos lucro ao país. Andamos feito mortos-vivos, cambaleando por aí, feito drogados, viciados em químicos, que nos mantém vivos por fora. Estou viva, mas mais valia estar morta. Quando não sentimos mais nada, não se é morrer? Então ensinem-me mais sobre este mundo físico, de objetos, medicamentos e uma carrada de porcarias. Já não entendo. Silêncio.

Ele reina em todo o lado, menos na minha mente barulhenta. As coisas continuam a andar de um lado para o outro, como se o meu cérebro fosse uma casa e estivessem a mudar os móveis, uma e outra vez, sem parar, sem descanso. Impossibilito-me de dormir, de até acreditar que isto pode parar. Grito. Ouviu-se. O cão rugiu, amuou-se depois. Deixo-me ficar. Ninguém me ouve. São surdos. Repito: são surdos. Uns inúteis! Uns covardes! Para que preciso de amigos ou até da psicóloga irritante, que só fala fala fala fala, não ouve nada? Não ouvem e não servem para nada! Nada melhora e tudo me sufoca.

É lixado termos de morrer afogados nas nossas próprias palavras, inundados de pensamentos constantes que tilintam na nossa mente, exaustivamente, até não conseguirmos mais. Silêncio absoluto. Agora queriam ouvir-me. É tarde demais. O improvável aconteceu. Ou será provável? Os comprimidos não me melhoraram, apenas pioraram. Deixaram-me debilmente estragada, impossibilitada de dar um passo sem me apoiar em algum lugar, com as tonturas.

A vida até então conhecida, parece-me distante. Qual vida, qual quê! Nem vivi, apenas existi. Agora, conheço finalmente o que é morrer e desaparecer, visto que sempre morri por dentro e desaparecia para mim e não para os outros. Acabou.

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